O anúncio feito ontem pelo ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, e pela ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, sobre a reestruturação do trecho de 74,3 quilômetros da BR-153, a Transbrasiliana, no Sul do Estado, não interrompe a histórica trajetória de negligência com a malha rodoviária do Paraná que só em 2010 mataram quase duas mil pessoas. Especialistas ouvidos pela FOLHA alertam que o rumo a seguir é um só: união de forças para garantir aos paranaenses caminhos com qualidade e mais seguros.
Números do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) mostram que o Estado possui 117.033,84 quilômetros de malha rodoviária entre federais, estaduais e municipais. No entanto, somente 20.239,88 quilômetros (17%) são pavimentados e, destes, apenas 972,98 quilômetros (menos de 5%) são duplicados. Das rodovias não pavimentadas - 96.793,96 quilômetros -, a quase totalidade é de rodovias municipais. Outros 15,7% das rodovias são concessões estaduais e 1,9% federais.
A FOLHA mostra que os trechos mais problemáticos, e que mais matam, são justamente aqueles cujas promessas de investimentos são antigas, bem antigas.
É o caso da Estrada Boiadeira, a BR-487, que corta todo o Noroeste, Centro e chega até os Campos Gerais. A recuperação começou em 1986 e ainda não foi concluída. Em diversos trechos não existe nem asfalto. O Tribunal de Contas da União (TCU) apontou que a obra tem sobrepreço de quase R$ 2 milhões entre Icaraíma e Cruzeiro do Oeste.
Ontem foi oficializado o início das obras na BR-153, a Transbrasiliana, de União da Vitória até a divisa com Santa Catarina. O trecho é crítico há anos e a promessa é de reforma completa, com custo de R$ 200 milhões e prazo de execução de dois anos. Com 4,3 mil quilômetros, a rodovia é a quarta maior do País e liga Rio Grande do Sul ao Pará.

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