FÉRIAS - Intenção de viajar cresce, mas setor desacelera
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domingo, 17 de novembro de 2013
Fábio Galão<br> Reportagem Local 
A ascensão da chamada nova classe média foi um dos principais propulsores do setor de turismo no Brasil nos últimos anos. O brasileiro tomou gosto por viajar, e manifesta a intenção de não deixar esse hábito tão cedo. Segundo uma pesquisa divulgada recentemente pelo Ministério do Turismo e pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), 33,5% dos brasileiros entrevistados em outubro disseram que pretendem viajar dentro dos próximos seis meses. Um ano antes, 32% haviam manifestado a mesma intenção.
Em todas as faixas de renda houve aumento da população que pretende viajar, exceto entre os que têm renda familiar entre R$ 2,1 mil e R$ 4,8 mil (o patamar foi de 27,5% para 24,3% em um ano). No grupo com renda familiar até R$ 2,1 mil, 14,4% disseram no mês passado que querem fazer turismo em breve, diante de 12,1% em outubro de 2012.
"Cada vez mais aqueles que nunca tinham viajado começam a viajar. Estamos com um mercado interno muito aquecido, com intenção de viagem muito forte por parte daqueles que entraram agora no consumo (de turismo). Estamos falando de todas as faixas de renda, e principalmente daqueles 35 milhões de brasileiros que entraram no mercado de consumo nos últimos 10 anos", diz o ministro do Turismo, Gastão Dias Vieira.
Apesar do discurso otimista do governo federal, representantes do setor afirmam que o momento é de apreensão. Pedro Kempe, diretor do Sindicato das Empresas de Turismo no Estado do Paraná (Sindetur-PR), aponta que no geral o mercado nacional de viagens continua "andando bem", mas em 2013 ocorre uma desaceleração do movimento. "Nos últimos anos, o mercado de turismo do Brasil cresceu aproximadamente duas a três vezes acima do Produto Interno Bruto (PIB). Este ano, o que a gente sente do mercado é que ele está crescendo na mesma faixa do PIB", diz Kempe.
"De maio para cá, a economia inteira desacelerou, e todos os segmentos sentem isso. O setor de viagens sente ainda mais rápido. Em viagens nacionais, o preço do produto ficou mais alto. O Brasil inteiro ficou mais caro, o custo da mão de obra, o custo geral do País, e isso afetou. Nas viagens internacionais, o câmbio influencia", explica o diretor.
Kempe aponta que o legado da Copa do Mundo de 2014, com os investimentos em hotéis, rodovias e aeroportos, pode representar um impulso para o setor de turismo, já que vai interferir no grande vilão do segmento: a carência de infraestrutura.
"O setor poderia estar crescendo mais se a infraestrutura fosse melhor. Em Curitiba e Londrina, o aeroporto ainda fecha se há neblina. Em geral, faltam investimentos em infraestrutura. É só pensar nas rodovias que levam Londrina e Curitiba a Foz do Iguaçu, com grande parte em pista simples. Se a estrutura fosse melhor, as viagens poderiam ser mais rápidas e o preço melhor", argumenta o diretor.
Queda
Daniel Feijolli, proprietário da agência Companhia de Viagens, de Londrina, afirma que sentiu 2013 como um ano "muito amarrado". "Teve uma diferença grande para outros anos e uma procura maior para destinos pelo Brasil, principalmente pela questão do câmbio e outras variáveis", explica. "O movimento caiu. Tivemos uma retomada a partir de outubro, o que era esperado, com as viagens de fim de ano. A esperança é de melhora em 2014, com a Copa do Mundo."
Um levantamento do Instituto de Pesquisas, Estudos e Capacitação em Turismo (Ipeturis) mostrou que para 46,7% das empresas do setor entrevistadas as vendas durante a última temporada de inverno foram menores em relação ao mesmo período do ano passado. Entre essas empresas, a queda média de movimento foi de 30%. Entre as restantes, 28,1% disseram que as vendas foram iguais ao inverno de 2012 e apenas 25,1% venderam mais.
Foram ouvidos representantes de 356 empresas de 24 Estados e do Distrito Federal. A pesquisa foi realizada a pedido do Sindicato das Empresas de Turismo no Estado de São Paulo (Sindetur-SP).
Segundo o Ipeturis, houve diminuição de viagens internacionais devido à desvalorização do real. Compras antecipadas com descontos promocionais geraram pequeno aumento nas viagens nacionais, mas os preços muito altos praticados perto do mês de julho teriam impedido um crescimento ainda maior. Para o Sindetur-SP, a previsão de PIB reduzido também teria causado insegurança para a compra de viagens.
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