Fazer o bem - País precisa construir 'cultura da doação'
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domingo, 22 de novembro de 2015
Carolina Avansini<br>Reportagem Local
Divulgada recentemente, a Pesquisa World Giving Index 2015 aponta que o Brasil caiu 15 posições no índice mundial de solidariedade que abrange 145 países, saindo da 90ª para a 105ª posição. Além da crise econômica, um fator importante que explica o mau posicionamento do País no ranking é a falta da "cultura da doação" entre a população. "Doando, as pessoas participam de questões sociais do País. É um mecanismo importante para fortalecer a sociedade civil", avalia Paula Fabiani, diretora presidente do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (Idis), responsável pela pesquisa.
Ela destaca que uma das características de uma "sociedade vibrante" são as organizações sem fim lucrativo, que têm papel fundamental na defesa de direitos, das causas, de se posicionar contra os governos e mobilizar as pessoas. O Brasil, para a diretora do Idis, precisa perceber que a participação social se dá não só através do voto ou protestos, mas também através das instituições.
A diretora do Instituto compara os resultados do Brasil aos primeiros colocados no ranking para explicar que apenas a crise econômica - que já dava mostras de se acentuar no ano passado, quando a pesquisa foi feita - não pode justificar o mau desempenho brasileiro. O primeiro lugar, por exemplo, ficou com Miamar, que tem Produto Interno Bruto (PIB) per capita de pouco mais de mil dólares. Já os EUA, que ficaram em segundo, tem PIB per capita de 53 mil dólares. "Não é uma questão apenas de ter recursos, é cultural", reforça.
Em Miamar, segundo ela, a explicação é religiosa. "Eles praticam uma escola do budismo que coloca a obrigação de fazer doações, por isso tivemos 92% da população doando", esclarece. Já em relação aos Estados Unidos, Paula lembra que outros países anglo saxões também foram bem colocados, indicando uma forte tendência cultural de ser mais solidário. "São países que têm como característica o empoderamento do indivíduo como participante das soluções dos problemas da sociedade. Eles se engajam de várias formas, é diferente dos países latinos, onde prevalece a visão de que o Estado deve prover. É preciso mudar essa cultura no Brasil para que haja maior engajamento das pessoas na busca de soluções para problemas sociais", acredita.
ENGAJAMENTO
Além da cultura da doação, a ocorrência de catástrofes naturais ou confrontos em áreas de conflito elevam o engajamento das pessoas. "Se a pesquisa fosse realizada agora no Brasil, por exemplo, é possível que o país ficasse melhor ranqueado em virtude das doações feitas para as pessoas atingidas pelo rompimento de barragens da mineradora Samarco em Minas Gerais", exemplificou, lembrando que na pesquisa atual o Iraque subiu no ranking, o que é claramente incentivado pelos conflitos que assolam o país. "Nestes casos, porém, as doações não se tornam permanentes, assim como o posicionamento no ranking."
Paula Fabiani explica que a pesquisa é baseada em três perguntas: se o entrevistado fez alguma doação a instituições, se realizou trabalho voluntário ou se ajudou uma pessoa desconhecida no último mês. O resultado brasileiro contraria os indicadores do restante do mundo, que em geral registraram melhora no ranking.
CAUSAS SOCIAIS
O Idis realiza no Brasil um trabalho de promover o engajamento de pessoas, famílias e empresas em causas sociais. "Nosso site tem bastante material, inclusive guias para investidores sociais que querem investir em projetos próprios ou de terceiros", disse. O Instituto busca qualificar o investimento social, por isso realiza avaliações de impacto das ações. "A mensuração do impacto é feita através de um trabalho de campo junto às pessoas beneficiadas, para ver se aquilo que o investidor queria mudar realmente aconteceu. Além disso, adotamos uma metodologia de avaliação que monetiza o impacto, ou seja, transforma o benefício em unidade monetária. Em geral, o retorno tem variado de R$ 2 a R$ 7 para cada real investido", anuncia. Quando o impacto gerado não é satisfatório, o Idis orienta ajustes na iniciativa e também a qualificação do investidor para que seja mais eficiente.
Quem quer ajudar e não sabe como tem uma boa oportunidade de começar a ser mais solidário no próximo dia 1º de dezembro, quando ocorre no mundo todo o Dia de Doar. "A ideia é que, ao invés de gastar nas liquidações motivadas pelo Black Friday, as pessoas façam doações", conta ela, reforçando que o movimento mundial, no Brasil, é liderado pelo Movimento por um Cultura de Doação. Mais informações sobre a campanha estão disponíveis no site diadedoar.org.br .
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