Fazer o bem - 'Aquele que ajuda também recebe'
A designer Cinara Bastos, do Grupo View, desenvolveu para um cliente o projeto Ipê Amarelo quando o universo empresarial, segundo ela, ainda tinha muita dificuldade de absorver compromissos relativos a questões socioambientais. Há sete anos, o objetivo inicial era plantar a semente da responsabilidade socioambiental entre funcionários, fornecedores e clientes da empresa. "Mas esse trabalho logo se estendeu à comunidade inserida no entorno da empresa com um conjunto de ações práticas e educativas", conta, lembrando que no terceiro ano de atividade o programa alcançou mais de dez mil pessoas nos três estados onde a empresa tem filiais.
A experiência de planejar e desenvolver conteúdos para projetos como o Ipê Amarelo, combinada a outras situações de vida, motivou Cinara a repensar sua atuação profissional. "Ainda estou construindo essa transição, mas percebi que trabalhar diretamente focada em assuntos relacionados à ampliação de consciência e desenvolvimento humano é uma paixão tão natural e forte para mim quanto o meu trabalho com branding, design e a criação de imagem empresarial, aos quais me dediquei por 25 anos", afirma.
Por isso, apesar de continuar dando suporte a clientes na área de origem, ela está começando a atender como "coach", com um trabalho focado no despertar da consciência para o propósito de vida pessoal e empresarial e também o alinhamento de equipes com os valores da empresa. Investe, também, em um projeto de criatividade educativa, desenvolvendo uma experiência com um programa de compartilhamento de saberes. "Estas são minhas atividades profissionais, mas também sou voluntária num projeto de apoio a um dos bairros mais carentes de Londrina", conta.
Diante destas experiências, ela defende que, para incentivar a solidariedade, é preciso praticá-la. "Quando vemos os resultados, fora e dentro de nós a partir de um exercício solidário, é natural que nos sintamos bem. Aquele que ajuda também recebe, sentimos em nós o alívio do outro e isso nos energiza", afirma.
Para quem tem vontade de realizar ações solidárias, ela avisa que há um "cardápio" enorme de oportunidades para colaborar na cidade, em todas as áreas. "Basta procurar na internet para obter uma relação significativa de diferentes iniciativas e encontrar uma possibilidade de colaborar", defende. Para haver engajamento real, sustentável e autêntico, Cinara defende a busca por uma proposta que faça sentido na vida, que seja convergente com o sistema de crenças, valores e se relacione com habilidades naturais do voluntário. "O primeiro passo necessário é 'sair de si mesmo', abrir um espaço interno para perceber o outro na dificuldade em que ele se encontra, sem julgamento, sem preconceitos e sem rótulos", aconselha. (C.A.)





