Fazer o bem - A dança como isca
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domingo, 22 de novembro de 2015
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
Na Zona Sul de Londrina, em uma praça próxima ao complexo de bairros conhecido como União da Vitória, um jovem batalha para dar esperança a crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade. O caminho para transformar dificuldades em sonhos é a dança, mais precisamente o C.Walk, estilo derivado do hip hop e que foi trazido ao Brasil por Vasco Perez Giufrida, mais conhecido como Vasco Rozerall. Aos 27 anos, ele é o responsável pelo projeto Passos para o Futuro, que oferece aulas de dança a 32 crianças e adolescentes do União. Com apoio do Rotary Aeroporto, que doa o combustível para que ele se locomova até o local das aulas três vezes por semana, e de Rosemere Batista, mãe de uma aluna que dá apoio ao grupo nos passeios, na organização das crianças e na confecção dos lanches, ele investe energia e recursos pessoais na esperança de oferecer um futuro melhor ao grupo.
Vasco começou a trabalhar com crianças como educador social em projetos da prefeitura. Chegou ao União da Vitória através desta função, mas quando foi avisado que seria transferido para outro bairro, decidiu sair da prefeitura e investir no próprio projeto. "A dança é uma isca para eu conseguir tratar de assuntos como escola, o cotidiano e a importância de não se envolver com 'coisas erradas'", considera.
O professor tem uma produtora de vídeos que faz cobertura de eventos e videoclipes. Hoje, contabiliza o investimento de 40% da renda pessoal no projeto. "O lanche, os tênis e as camisetas para os alunos sou eu quem banco. Todo mundo elogia, mas é muito difícil conseguir ajuda", lamenta ele, que também paga do próprio bolso o aluguel dos ônibus que levam a turma às apresentações. "Eles gostam muito de apresentar, receber palmas e reconhecimento. É isso que os mantêm acreditando no futuro", diz.
As roupas, os calçados e os bonés típicos do hip hop são outros atrativos para a clientela atendida. "Eles também veem no projeto a oportunidade de ter um tênis legal, uma camiseta... Preciso de patrocínio também para esse custo", pede. Há sete anos trabalhando com esse grupo, Vasco sonha com a possibilidade de transformar os alunos mais velhos em professores, dando oportunidades profissionais para eles e abrindo caminho para acolher mais crianças. "Mas para isso é preciso mais dinheiro", lamenta.
O voluntário conta que se mantém motivado porque sabe que é um espelho para os meninos e meninas. "Eles acreditam que o projeto vai dar certo, então eu tenho que me manter firme. Somos uma família", diz o rapaz, que mesmo tendo ganho o Prêmio Cidadania Londrina no ano passado, não conseguiu apoio financeiro para ampliar as atividades. "Não dependo de grandes ajudas, minha necessidade é pouca", reforça Vasco, elencando as principais demandas: combustível, dois pares de tênis mensais e um lanche mais reforçado para os alunos que chegam a caminhar dois quilômetros até o local das aulas. "O União da Vitória tem milhares de crianças, eu atendo apenas 32, mas poderia aumentar se houvesse apoio", espera.


