Fator causador da malformação é desconhecido
PUBLICAÇÃO
sábado, 03 de março de 2001
De Curitiba 
Em cada 629 pessoas nascidas em Curitiba, em 1999, uma é portadora de fissura lábio-palatial. A estimativa faz parte do trabalho da bióloga e geneticista Fabiana Poerner, que fez o levantamento tomando por base o número de crianças nascidas naquele ano (dados da Secretaria Municipal da Saúde) e o número de pacientes recém-nascidos cadastrados no CAIF no mesmo período. A média dos levantamentos feitos em Curitiba, Bauru e Porto Alegre é de um fissurado lábio-palatial em cada 700 nascidos.
O CAIF tem cadastadros um total de 2.813 pacientes, desde de sua inauguração, em 1992. Cerca de 26% desse total já receberam alta. Outros 3.205 pacientes foram cadastrados pelo centro médico de Bauru. O diretor do CAIF, Lauro Consentino acredita que, pelas estimativas, devam existir ao todo, no Paraná, mais de 13 mil fissurados lábio-palatial (cerca de 6 mil pessoas não teriam procurado auxílio médico ou buscaram tratamento em clínicas particulares).
Segundo Fabiana Poerner, que atua no centro desde 1996, a fissura lábio-palatial ocorre devido a uma falha na fusão dos tecidos dos lábios e céu-da-boca durante o desenvolvimento embrionário. O que não se sabe ainda é por que isso acontece. Muitos estudos já existem, mas a etiologia é bastante complexa, afirma. Ela explica que existem genes de predisposição que, interagindo a fatores ambientais (doenças maternas, contato com agrotóxicos, uso de determinados medicamentos) podem favorecer as malformações. Por isso, acreditamos que não seja uma característica exclusivamente de origem genética.
A bióloga diz que o CAIF já está trabalhando em parceria com o Laboratório de Imuno-Genética da Universidade Federal do Paraná (UFPR) para pesquisar as causas das malformações congênitas e pretende trabalhar em conjunto, também, com a Universidade de São Paulo (USP). O que pretendemos descobrir é que genes são esses e como eles interagem com os agentes externos.
Até agora, explica a geneticista, o que se tem são levantamentos epidemiológicos que constatam uma maior incidência das fissuras em orientais e em menor número entre negros, apesar de ocorrer em todas as raças. O que se tem conhecimento, também, é que dos diferentes tipos de fissura, a mais frequente é a que afeta lábio e céu-da-boca, sendo mais comum entre os homens, e a fissura só no céu-da-boca, que atinge mais mulheres. Talvez isso aconteça em função dos diferentes períodos de fechamento dos tecidos, mas não existe fundamento científico que confirme esta hipótese. (A.L.)


