As marcas no corpo já cicatrizaram, mas os depoimentos de Claudete e Roberta (nomes fictícios) revelam que as feridas emocionais continuam profundas. Duas mulheres distintas mas com a mesma história silenciosa de sofrimento e violência física e psicológica. Lembranças latentes de dias que gostariam de esquecer. Só agora porém, vivendo na Casa Abrigo em Londrina, elas tentam mudar o rumo de suas vidas.

Ainda com muito medo dos ex-companheiros - ambas sofreram ameaçadas de morte -, elas aguardam ''escondidas'' a concessão da medida protetiva judicial. ''Sei que a medida é boa, mas não me sinto segura. Ele é muito violento, certamente vai rasgar o papel'', desabafa Claudete, que acredita que sua única saída é fugir. ''Se souber que ele está preso, tudo bem. Mas se estiver solto, não vou ficar tranquila. Vou sempre viver com medo''. Seu desespero tem nome e sobrenome: o agressor disse que se mataria após acabar com a vida dela e da filha.

Roberta vive a mesma sensação e acha que com ou sem medida protetiva não há lugar seguro para ela na cidade. ''Vou mudar de estado pra ele não me encontrar. Aqui não dá pra ficar, pois não tenho onde me esconder'', conta a mulher, que deseja voltar a dormir em paz. ''Tinha muito medo. Chegou uma hora em que não dormia mais, não tinha fome e perdi totalmente a vontade de viver'', confessa.

O sentimento de medo das duas mulheres é semelhante ao de outras milhares Brasil afora. E, mais grave ainda, é saber que a violência se estende, boa parte das vezes, a toda uma família.

Leia mais na reportagem especial de Marian Trigueiros e Michelle Aligleri

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