Longe dos eixos do poder, mas bem perto das consequências que pode provocar o aumento da alíquota do ICMS para os produtos da cesta básica, a desempregada Roselaine da Costa Silva, 26 anos, não sabe quase nada sobre a guerra fiscal entre Paraná e São Paulo, mas tem na ponta da língua a dimensão de seu prejuízo, após receber a explicação do quanto sua compra do mês ficará mais cara. ‘‘Nossa, isto é o preço de um botijão de gás!’’.
A compra de mantimentos consome R$ 190,00 da renda de seu marido, que trabalha como motorista e banca grande parte das despesas. Calculando o aumento de 10% nos custos da cesta básica, conforme projeção dos supermercadistas, os Silva vão ter que desembolsar mais R$ 19,00 na compra mensal. O valor é R$ 1,00 superior ao preço médio cobrado em Londrina por um botijão de gás de 13 quilos.
Na casa de classe média baixa dos Silva, localizado no Conjunto Parigot de Souza 2, zona norte de Londrina, vivem seis pessoas. Roselaine vive na casa da mãe, onde além do seu filho, vivem a mãe e duas irmãs. Todos os meses, a família compra seis pacotes de açúcar, seis de arroz e dez latas de óleo de soja. Costumam estocar alimentos quando encontram uma oferta atraente.
‘‘A gente faz muita pesquisa antes de comprar, vê muita diferença de preço, conversa com as vizinhas. Ninguém nunca falou nada sobre isso. E dizem que notícia ruim chega logo’’, diz a desempregada, tentando embalar seu bebe de colo. ‘‘Mas não tem problema. Se for preciso economizar, a gente economiza.’’ (L.F.M.)

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