A conversa franca com os filhos Caio, de 16 anos, e Manuela, de 11, é a estratégia usada pela professora Sílvia Regina Soares para tentar alertá-los sobre o risco das bebidas alcoólicas. "Por enquanto está funcionando", garante a mãe, que é adepta da "liberdade com limites" para garantir autonomia aos filhos sem abrir mão dos cuidados necessários nesta fase da vida.

Apesar do filho mais velho se interessar por esportes e não frequentar muitas festas, Sílvia não dispensa as orientações sobre as consequências do uso abusivo do álcool. "Às vezes uso o exemplo de um conhecido que exagera no consumo para mostrar que as bebidas trazem riscos", diz. A partir de relatos do próprio adolescente, ela sabe que o filho frequenta lugares onde eventualmente consome-se bebidas, mas confia que o rapaz esteja preparado para fazer boas escolhas.

Outra estratégia utilizada pela professora é conhecer bem os amigos dos filhos e manter contato com os outros pais. "Além disso, acredito que os adultos tenham que dar o bom exemplo. Em casa quase nunca tem bebidas e, quando eventualmente tomamos um pouco de vinho, o consumo é bem moderado", conta.

A promoter Adriana Pontier convive rotineiramente com o interesse dos adolescentes por bebidas alcoólicas. Nas festas de aniversário de 15 anos que organiza, ela observa que, mesmo quando a bebida está proibida para os mais jovens, aqueles que querem consumir fazem várias tentativas para ter acesso e, algumas vezes, acabam conseguindo.

Na maioria das festas, as famílias determinam que as bebidas alcoólicas sejam servidas em ambientes separados, apenas para os adultos. "Mesmo assim, é preciso `ficar de olho´ e controlar a oferta de bebida, para evitar exageros", revela. Adriana usa algumas estratégias para distrair a atenção dos meninos e meninas das bebidas alcoólicas.

"Uma opção é montar um bar com drinks bonitos, coloridos, enfeitados com frutas, mas sem álcool. Como os adolescentes são curiosos, acabam experimentando", diz. Uma receita que costuma fazer muito sucesso são os drinks sólidos, sem álcool, mas com apelo visual interessante. "Antes de proibir as bebidas, é preciso oferecer opções mais atraentes", ensina. (C.A.)

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