''Estamos vivendo uma pandemia do crack e o governo perdeu o controle por não investir na prevenção e tratamento dos dependentes. Hoje o número de vagas disponíveis nos centros de recuperação é ínfimo perto da real necessidade. Se tivéssemos 100 vagas aqui, elas seriam facilmente preenchidas.'' A afirmação é do pastor Paulo Fernando Constantino, fundador e presidente do Centro de Assistência e Recuperação de Vidas Morada de Deus, que atende dependentes químicos há 25 anos.
Na chácara na Zona Sul de Londrina são atendidas até 40 pessoas, entre mulheres, homens e adolescentes. A maioria dos residentes é do sexo masculino, e praticamente todos têm envolvimento com o crack. Metade das vagas é ofertada com recursos federais. Os demais atendimentos são feitos com recursos das famílias dos dependentes e doações da comunidade e da Justiça Criminal.
''Até o ano passado tínhamos um convênio com o município para ofertar 12 vagas, mas ele foi suspenso. Não sabemos exatamente por que'', informa o pastor Paulo. Segundo o secretário municipal de Saúde, Edson de Souza, este convênio era feito entre Secretaria de Governo e Fundo Municipal Antidrogas (Remad), que este ano contemplará outro centro de tratamento. ''Com isso, poderemos ampliar a oferta de vagas no município'', garante Souza.
Após quase nove meses de espera, o Morada de Deus começou a receber, na última quinta-feira, os recursos relativos ao Plano Integrado de Combate ao Crack, que deveriam chegar desde abril do ano passado. Naquele mês, o Governo Federal liberou uma verba de R$ 384 mil para ser distribuída entre três entidades da cidade, por meio de repasses mensais. Além do Morada de Deus, serão contemplados a comunidade Restaura Vidas Dependência Química (Revide) e a Associação Promocional Londrina Viva (Prolov).
No caso do Morada de Deus serão R$ 16 mil mensais, durante 12 meses, para atender 20 residentes. ''São recursos insuficientes para mantermos a nossa estrutura, mas ajudam bem'', diz o pastor. O Prolov e o Revide receberão, respectivamente, R$ 12 mil e R$ 4 mil por mês.
O secretário de saúde afirma que a demora foi motivada pela dificuldade de estabelecer um modelo de contrato com as entidades. Souza informa que em cerca de duas semanas as duas entidades passarão a receber os recursos. (S.L.)

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