No segundo semestre de 2010, quatro entidades representativas paranaenses - o Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea-PR), a Federação das Indústrias (Fiep), o Instituto de Engenharia (IEP) e o Sindicato da Indústria da Construção Pesada (Sicepot) - apresentaram o Plano Estadual de Logística e Transportes (Pelt) 2020, com sugestões de obras para o setor a serem realizadas no Paraná até o final da década.
O estudo, que foi entregue à época aos candidatos ao Governo do Estado, recomenda ações em todos os modais. No hidroviário, o Pelt cita que há trechos importantes, que somam 992 quilômetros, nos rios Ivaí, Paranapanema, Tibagi e Paraná que poderiam ser utilizados para transporte. Para isso, entretanto, haveria necessidade de uma série de adequações (veja infográfico).
O projeto lembra que um estudo de viabilidade do aproveitamento do Rio Ivaí, para transporte e geração de energia, já havia sido elaborado pela extinta Superintendência de Desenvolvimento do Sul (Sudesul), Copel e Secretaria de Transportes do Paraná.
O engenheiro Didio Rocha Loures, que colaborou na parte de hidrovias do Pelt, afirma que existem indícios de que o Brasil está despertando para a importância do modal - ele cita como exemplos a alocação de recursos e/ou projetos para as hidrovias do Tocantins, do Mercosul (no Rio Grande do Sul), do São Francisco e do Tietê. Mas o Paraná não parece estar inserido nessa tendência.
''Apresentamos o Pelt e objetivamente não tivemos nada. Houve um movimento, quando o Beto Richa (PSDB) assumiu o governo, de dar continuidade a esses estudos, mas, no que diz respeito às hidrovias, não avançamos nada'', relata Rocha Loures. ''Faltam projetos. Se o Estado não tem capacidade de bancar os projetos, fica difícil levar as iniciativas para instâncias superiores e obter recursos.''
A FOLHA solicitou informações sobre projetos do Governo do Paraná para hidrovias junto à Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística, mas não obteve retorno até o fechamento desta reportagem.
Na nota enviada à FOLHA, o Ministério dos Transportes informa que o PHE deve compreender ''o território brasileiro como um todo'', mas o estudo vai enfatizar as bacias hidrográficas Amazônica, do Tocantins, São Francisco, Parnaíba, Atlântico Sul, Uruguai, Paraná e Paraguai.
Apesar de a bacia do Paraná estar entre as consideradas prioritárias, apenas o rio principal, entre os quatro apontados no PELT, deve receber intervenções significativas do plano. ''Para a bacia hidrográfica Paraná, o principal eixo considerado é o Paraná-Tietê, com foco nos rios Tietê, Paraná, Piracicaba e Paranaíba'', explica a nota do ministério.
A pasta informa ainda que o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) está fazendo nove estudos de viabilidade técnica, econômica e ambiental para o desenvolvimento da navegação interior. Um deles vai contemplar a bacia do Paraná, ''com a elaboração de projetos, básico e executivo, de engenharia para sinalização de margem e balizamento, para dragagem e para derrocamento dos rios da bacia''. (F.G.)

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