Faltam equipamentos, livros, laboratórios adequados, professores, funcionários e até mesmo carteiras para acomodar os estudantes. Esse é o cenário em que a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) vem funcionando. No começo do ano, os estudantes do curso de Direito precisaram fazer protestos para conseguir carteiras, já que estavam tendo que fazer suas anotações sobre as próprias pernas porque faltavam carteiras na UEPG.
No curso de Jornalismo, faltam equipamentos. Há somente quatro máquinas fotográficas que estão sendo divididas por cerca de 180 alunos. Dos 10 professores do quadro efetivo do Departamento de Comunicação Social, três estão afastados (dois em doutorado e um em licença sem vencimento). Um quarto professor faleceu no começo do ano.
O resultado é que o curso ficou somente com seis professores e foi necessário contratar quatro colaboradores para atender todas as turmas. Com a sobrecarga de trabalho, as pesquisas ficam paradas. Este ano, nenhum estudante do curso está trabalhando em projetos de pesquisa ou extensão, coisa que não acontecia há pelo menos cinco anos.
A UEPG tem 613 professores efetivos e 166 estão afastados para cursos de pós-graduação, o que corresponde a 27% do total. Para o pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação, Altair Justino, esse número não chega a afetar a qualidade do ensino oferecido na instituição, que conta com 256 mestres e 145 doutores, número bem acima do um terço exigido pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB).
Mas o presidente do Sindicato dos Servidores da UEPG, Antônio Tomal, discorda. ''Temos mais de 70 professores hoje na UEPG que são colaboradores. Não temos nada contra eles, mas para ser contratado como colaborador só se exige a graduação. E onde fica a qualidade do nosso ensino?'', questiona o sindicalista.
A situação provoca a revolta dos estudantes. Na última quarta-feira, alunos do curso de Jornalismo fizeram uma passeata dentro da instituição, que acabou em frente ao gabinete do reitor Roberto Frederico Merhy. Na sexta-feira, o protesto foi maior e envolveu acadêmicos de todos os cursos. Eles chegaram a invadir o gabinete, pedindo a realização de concurso público para contratação de professores e funcionários.
''Universidades como as de Cascavel, Londrina e Maringá fizeram concursos e contrataram mais funcionários'', reclama o presidente do centro acadêmico de Jornalismo, Marcos Silva, 19 anos.
O reitor, no entanto, considera que a luta deve ser pela revogação do decreto 3.558, que obriga as universidades a pedir autorização para o governador quando quiser realizar concurso. ''Eu não pedi a realização de concurso porque considero que com essa atitude eu estaria abrindo mão do princípio da autonomia'', defendeu-se.
Ele se comprometeu a participar de um abaixo-assinado, elaborado em conjunto com os estudantes e sindicato dos servidores da UEPG, que deverá ser encaminhado para o governador, pedindo a revogação do decreto com a imediata abertura de concurso público.

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