Faltam ações preventivas e estruturas eficientes
As estruturas municipais de apoio aos moradores em caso de desastres naturais são deficitárias e atuam de foram reativa, o que para o coordenador regional da Defesa Civil do Paraná, major Wilson Paulino, não é o ideal. Dos 61 municípios da regional da Defesa Civil, dois (Santa Mariana e Nova Fátima) não têm coordenador municipal e, na maioria, o responsável divide o cargo com outras funções na administração pública. "Infelizmente, os gestores não se sensibilizaram com os pedidos anteriores para a organização da Defesa Civil", afirma.
Para Paulino, as defesas civis municipais trabalham apenas de forma reativa e não pensam preventivamente. "Em tempo de tranquilidade, você precisa ter pessoas envolvidas, preocupadas em cadastrar alojamentos, catalogar voluntários e áreas de riscos. Só nos envolvemos quando há o evento desastroso e pagamos um preço caro por isso", avalia.
A falta de ações preventivas fica evidente em locais onde os alagamentos são recorrentes, como em Jataizinho (Região Metropolitana de Londrina). A cidade tem um histórico de cheias por conta das proximidade com os rios Tibagi e Jataizinho. "Subiu o Jataizinho, temos pessoas desalojadas e elas continuam ali. A pessoa está com a água na cintura e não quer sai. Quando a água bate no peito e destrói a casa inteira, ela diz que não fizemos nada. Isso é complexo", lamenta Paulino, que defende que os municípios promovam políticas públicas para retirada das pessoas de áreas de risco ou de ameaça.
Segundo ele, há prefeituras que sequer conseguem alimentar o sistema da Defesa Civil com os danos que a cidade sofreu. E é este sistema que vai estabelecer os parâmetros dos decretos de situação de emergência.
Para Paulino, Londrina tem a maior e melhor estrutura de Defesa Civil da região, mas ainda aquém da necessidade de uma cidade de mais de 500 mil habitantes. A estrutura conta com quatro funcionários, que fazem a ponte entre os demais órgãos da prefeitura. O coordenador adjunto da Defesa Civil de Londrina, Demerval Anderson do Carmo, explica que o órgão faz a articulação com outras secretarias para atender as demandas do município.
CIDADES RESILIENTES
Doze municípios da região de abrangência da regional se candidataram ao programa Cidades Resilientes, da Organização das Nações Unidas (ONU). A iniciativa visa sensibilizar os governos e a sociedade no sentido de diminuir os riscos inerentes de desastres naturais.
As cidade precisam implementar dez ações, como, por exemplo, elaborar documentos de orientação para redução do risco de desastre e manter informações atualizadas sobre as ameaças e vulnerabilidade da cidade. "Nenhuma das 12 cidades fez os dez passos", aponta Paulino. E o problema é que os alertas dos cientistas indicam que o número de fenômenos climáticos vai aumentar em intensidade e frequência. "Isto é inevitável, então vamos nos preparar para o que virá", decreta Paulino.
Em Londrina, segundo Carmo, sete pontos já foram atingidos, dois estão em elaboração e falta uma definição sobre o sistema de alerta. Ele acredita que ainda este ano todos os passos sejam cumpridos. "Ser uma cidade resiliente facilita a captação de recursos internacionais para aplicação em obras de infraestrutura e prevenção", comenta Carmo.(A.M.P)





