Há algumas semanas, a representante de atendimento Gabriela Munhoz, de 27 anos, passou pela difícil experiência de não conseguir atendimento rápido, mesmo diante de uma dor de cabeça intensa, de um quadro de febre e de sua disposição em pagar uma consulta particular. ‘‘Como ainda estava em período de experiência no emprego, não podia contar com plano de saúde’’, explica. Depois de passar por três hospitais e ser informada de que a espera por atendimento seria de no minímo duas horas, acabou desistindo e optou por tentar o posto de saúde perto de sua casa na manhã seguinte.
‘‘São duas situações diferentes que nos causam indignação: quando chegamos em um serviço público de saúde, vemos a situação caótica que está e ficamos nos perguntando para onde vai o dinheiro dos impostos que pagamos, e quando, mesmo nos propondo a pagar por uma consulta particular, somos tratados com tanta indiferença. É um desleixo muito grande com a saúde. Se a gente não está toda quebrada ou baleada dentro de uma ambulância, não consegue ser atendida’’, desabafa.
A representante de atendimento conta que, ao procurar a Unidade Básica de Saúde perto de sua casa na manhã seguinte, ainda com fortes dores, conseguiu ser examinada depois de pouco mais de duas horas de espera. Mas o encaminhamento para um especialista para confirmar e tratar o provável caso de sinusite até hoje não foi feito. ‘‘A consulta com o especialista foi marcada para um mês e meio depois do primeiro atendimento’’, revela. Além de ter sido medicada sem a confirmação do diagnóstico, Gabriela conta ter presenciado uma cena que ilustra bem a falta de estrutura do setor: ‘‘Eu vi um rapaz passando muito mal, com suspeita de dengue, sendo medicado com soro sobre um balcão, porque não tinha maca. Não há a menor condição’’, denuncia. (S.L.)

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