Falta de exames prejudica elucidação de crimes
O advogado criminalista Adriano Bretas, professor de Direito Processual Penal da PUC/PR e membro da Comissão de Advogados Criminalistas da OAB/PR reforça que a Polícia Científica do Paraná sofre problemas estruturais há muito tempo. "Temos um IML e um Instituto de Criminalística absolutamente sucateados, com estruturas anacrônicas, defasadas. Apesar dos avanços da tecnologia em matéria de perícias, os casos ainda são investigados mediante técnicas que em outros países, como nos Estados Unidos, já não são utilizadas há mais de vinte anos", afirma.
Segundo ele, o Código de Processo Penal é claro no sentido de que a demonstração da existência dos crimes que deixam vestígios depende de exame de corpo de delito. "Sem que haja uma Polícia Científica minimamente equipada, o exame de corpo de delito, ou melhor, a falta dele acaba prejudicando toda a elucidação do crime", critica.
Bratas acrescenta que, quando não se consegue elucidar um caso com inteligência investigativa, pode acontecer de a investigação descambar para "práticas não ortodoxas", como, por exemplo, a truculência e a tortura. Por isso, considera o papel da Polícia Científica "absolutamente crucial". "Basta fazer uma simples referência à atuação que teve a Polícia Científica de São Paulo no caso Nardoni. Sem o emprego das técnicas de inteligência investigativa, o caso Nardoni certamente teria permanecido incógnito", exemplifica.(C.A.)





