Apenas uma das salas de cirurgia do Hospital do Trabalhador é utilizada pelo CAIF. Ainda assim, o uso da sala é prioridade para os casos de emergência que aparecem no hospital. No dia em a reportagem da Folha estava no centro houve uma emergência. A cirurgia do menor João Pedro Medeiros foi adiada, por falta de sala no centro cirúrgico.
A idéia, segundo o diretor Lauro Consentino Filho, é criar um hospital próprio, que já tem até nome – Hospital da Face. ‘‘Entretanto, não há ainda recursos previstos para sua construção’’, admite. Segundo ele, o governo se propôs a ceder o terreno, mas a direção do CAIF é quem tem que buscar as verbas para a construção. ‘‘Nós estamos mantendo contato com várias Organizações Não-Governamentias (ONGs), mas até agora não obtivemos nenhuma resposta.’’
A maior parte dos recursos necessários para a manutenção do CAIF – cerca de R$ 123 mil por mês – é custeada pela Secretaria Estadual da Saúde. Segundo o diretor, o valor repassado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) corresponde a apenas 15% desse montante. ‘‘O Estado não investe mais no CAIF porque tem outras prioridades’’, defende. Parte do dinheiro é repassado para a Associação de Reabilitação e Promoção Social do Fissurado Lábio-Palatial (Afissur), que é responsável pela contratação e pagamento dos profissionais de que o Estado não dispõe como cirurgião plástico, otorrinolaringologista, dentista buco-maxilo-facial, fonoaudiólogo e psicólogo.
Ainda segundo Lauro Consentino, a Afissur está tentando conseguir um terreno para construção de uma casa de apoio, próxima do CAIF, para abrigar as famílias que vêm do Interior e de outros estados para tratamento. A maioria das famílias não tem condições de arcar com despesas de hospedagem. (A.L.)

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