O reduzido número de Unidades de Tratamento Intensivo (UTI) credenciadas para a determinação de morte cerebral ou encefálica limita a possibilidade de doações de múltiplos órgãos. Há, no Estado, segundo a Central Estadual de Transplantes, 38 hospitais credenciados para a captação de tecidos de transplantes, mas não se tem o número de UTIs autorizadas para o serviço.
Para a coordenadora da Central, Ivana Kaminski, o protocolo de diagnóstico que determina a morte encefálica é um procedimento caro pelo número de exames que exige . Por isso, o processo é pago pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A lista de espera, no Estado, é de 2.276 pessoas esperando por doadores.
Ivana explica que há muitos hospitais em condições de se cadastrar como centrais de captação, por possuírem equipamentos para o diagnóstico da morte cerebral e a manutenção do doador até a retirada dos órgãos. O cadastramento, entretanto, não ocorre por estas instituições temerem o credenciamento com o SUS. ‘‘O vínculo não obriga o hospital a realizar outros procedimentos pelo Sistema’’, garante a coordenadora.
A Central Estadual de Transplantes coordena o trabalho em todo o Estado, auxiliada por duas centrais regionais, uma em Londrina e outra em Maringá. Cabe a ela a distribuição dos órgãos, com exceção das córneas, que pode ser feita pelas regionais. Apenas a Central Estadual tem pessoal disponível 24 horas. Nas regionais o expediente é das 7 horas às 19 horas. Nos feriados, finais de semana e de noite, funciona plantão que é acionado quando necessário.
A região de Londrina, segundo a coordenadora da Central Regional Norte, Elza de Lara Bezerra, envolve 98 municípios. A captação de órgãos é feita em Londrina, Cambé e Arapongas. Já o transplante é feito em Londrina (córneas, coração e rim) e Cambé (córneas). Apucarana e Ivaiporã estão se credenciando como centrais de captação. O transplante de fígado e pâncreas só é feito em Curitiba.
Para sensibilizar a sociedade, a Central Regional realiza anualmente até 10 palestras em escolas, associações ou grupos. Lara afirma que, graças a esse trabalho constante de esclarecimento, o número de doadores vem crescendo a cada ano em quase 100%. Mesmo assim a fila de espera é longa. Desde que foi criada, em dezembro de 1997, a regional norte já realizou 264 transplantes de córneas, 18 de coração e 103 de rins. Os transplantes de rim, destaca a coordenadora, podem ser feitos não só com doadores mortos, mas também entre vivos.
O contato entre as famílias doadora e receptora, segundo norma determinada pela Central, só é permitida seis meses após o transplante. Um encontro anterior a isso, segundo Lara, pode trazer sérias implicações sociais, tanto na qualidade do enxerto quanto nos aspectos psicológicos das duas famílias. Após esse período a Central, se procurada por um dos lados, entra em contato com a outra parte para saber se há interesse no encontro.

NA EXPECTATIVA

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