Falta de dinheiro reduz vendas de antibióticos
PUBLICAÇÃO
domingo, 04 de fevereiro de 2001
De Curitiba 
A situação no Brasil pode ser menos alarmante, em função da falta de dinheiro. O presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan), Nelson Antunes, disse que nos últimos anos vem caindo a venda de antibióticos para uso animal. Em cinco anos, as vendas caíram pela metade. Antunes não quantificou essa redução, mas acrescentou que as principais indústrias farmacêuticas saíram do mercado.
Uma das razões é a queda de receita dos produtores. No ano passado, por exemplo, o quilo de frango pago ao avicultor foi de R$ 1,26, em média, contra R$ 1,74 no final de 1999. A queda aconteceu pelo aumento da oferta do produto no mercado interno e internacional. Para compensar as perdas de dinheiro, cortam-se gastos com medicamentos. Afinal o animal não é como o homem e pode ficar sem o remédio, disse.
Em média, uma caixa com 30 ampolas de antibióticos custa em torno de R$ 20,00. Mas em uma criação de larga escala, esta quantia cresce em até 100 vezes.
Antunes entende que os produtores estão preferindo utilizar rações que promovem o crescimento dos animais. Os promotores de crescimento, explicou o chefe da Divisão de Defesa Agropecuária do Ministério, Carlos Conte, são bactérias selecionadas que sequestram similares patogênicas.
Diversas empresas trabalham com essa tecnologia. Inclusive, algumas indústrias de rações mudaram a composição casada de alimentos e antibióticos, passando a optar pela bactéria selecionada.
Essa prática tem permitido que um frango engorde com 38 a 40 dias de galinheiro. Caso contrário, uma galinha vai dispender 50% mais de energia para se desenvolver, já que as bactérias estão no intestino, informou o veterinário, Felipe Pohl de Souza.
Mas mesmos esses produto estão sendo colocados sob suspeita nos países europeus. O uso da tecnologia foi banida na Dinamarca e da Suécia devido à preocupação com a saúde humana. Nesse países a produção de aves e suínos não caiu e nem os preços subiram com gastos em ração. Em contrapartida, nos Estados Unidos, a concepção é outra. Para os produtores americanos é preciso combinar o medicamento com as rações para se ter uma carne barata e saudável. (I.R.)


