Desde o final da década de 1990, quando foram iniciadas as apurações do Caso AMA/Comurb em Londrina, é inegável o aperfeiçoamento contínuo dos mecanismos de investigação. Desde aquela época, foram inúmeros os esquemas de corrupção e outros crimes desvendados pelo MP (Ministério Público), mas nem sempre o sistema de Justiça acompanhou essa evolução, permitindo que pessoas como o ex-deputado federal José Janene e o ex-doleiro Alberto Youssef permanecessem impunes e mantivessem suas ações ilícitas, estendendo-as à esfera federal. “É evidente que o sistema de Justiça não teve capacidade de produzir o efeito de fazer pelo menos cessar a atuação dessas pessoas. Então, tivemos falhas”, avaliou o procurador do MP-PR, Cláudio Esteves.

O procurador rebate as críticas feitas por alguns setores da Justiça e da imprensa ao rigor da Operação Lava Jato. “O passado demonstra que a ausência de contundência dentro da Justiça não foi suficiente para frear as ações dessas pessoas, tanto que elas acabaram migrando de um escândalo para outro. Eu, particularmente, me ressinto muito do fato de que nesses casos, as respostas, sobretudo na Justiça Criminal, não foram rápidas e eficientes o suficiente para, no mínimo, inibir a continuidade das ações.”

Esteves reconhece a evolução do sistema de Justiça Criminal, que conseguiu até levar à cadeia pessoas com elevado poder político, social e econômico. “Mas certamente, as ações da época (do Caso AMA/Comurb) não foram suficientes para isso. O processo do Alberto Youssef, que é do ano de 2000, ano em que nós o prendemos, segundo me consta está sem conclusão até hoje. Isso é algo que realmente nos provoca uma sensação ruim, a pouca eficiência dessas ações.”

As falhas, no entanto, também servem como aprendizado, observa o procurador. “A lição é que não se pode perder a oportunidade de realizar a Justiça integralmente, de maneira a prevenir a ocorrência de novos crimes”, destacou. “Já foi pior, acho que a Lava Jato está produzindo um efeito cultural no âmbito da Justiça também nesse aspecto de fazer cumprir as condenações, tanto que tem um presidente da República (o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso em abril de 2018) cumprindo pena. Havia uma dificuldade maior para se processar pessoas que detêm uma certa notoriedade política, social e econômica, que foi sendo minada ao longo do tempo. Hoje estamos em um estágio melhor. Não é o ideal, mas melhor do que naquela ocasião.”(S.S.)

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