Face Oeste domina elite
Dos 26 municípios paranaenses que figuram na elite do IDHM nacional, apenas seis não estão na face Oeste do Estado. Destes seis, três deles estão entre os mais populosos (Curitiba, Londrina e Ponta Grossa), um está na região metropolitana da capital (São José dos Pinhais) e outros dois são polos microrregionais (Rio Negro, no Sul; e Cornélio Procópio, no Norte Pioneiro). O Oeste e Noroeste estão empatados com oito cidades, enquanto o Sudoeste completa a lista com outras quatro.
O economista Cid Cordeiro lembra que a face Oeste do Estado tem características semelhantes às regiões mais desenvolvidas de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, estados que têm um número de municípios muito maior que o Paraná na lista dos 500 melhores. "Nestas regiões, a agroindústria também apresenta um alto grau de desenvolvimento, com o cooperativismo e o modelo de integração com grandes empresas e pequenos produtores. Estes modelos já estão maduros, o que faz com que o desenvolvimento irradie de forma mais regional do que local", avalia.
A socióloga Ana Lúcia Rodrigues concorda e lembra que estas regiões do Estado são áreas onde os arranjos produtivos locais estão mais avançados, com o crescimento do poderio das cooperativas. "Há também uma particularidade que são os municípios que recebem os royalties de Itaipu e que têm uma capacidade de investimento em saúde e educação muito superior às demais regiões do Estado", afirma. "Além de mais recursos, estes municípios também desenvolveram uma gestão pública mais eficiente graças à uma assessoria técnica muito competente. As administrações têm ideias inovadoras e conseguem implementá-las", pondera.
O diretor presidente do Ipardes, Gilmar Mendes Lourenço, compara o impacto de Itaipu no Oeste à instalação de um outro grande empreendimento o complexo da indústria papeleira em Ortigueira - na parte Norte dos Campos Gerais, um dos bolsões de pobreza do Estado. Para ele, a divisão em condomínio da arrecadação do ICMS por 12 municípios fará os indicadores melhorar em todos eles.
Para o Ipardes, o caso dos Campos Gerais seria um exemplo da desconcentração de investimentos que deve ser experimentado ao longo desta década em várias regiões do Estado. "Há indicadores que mostram uma participação cada vez maior do interior na criação de postos de trabalho. É uma tendência que pode fazer aumentar o número de municípios paranaenses com alto grau de desenvolvimento", aposta. (L.F.M.)





