Fábrica de polpa nunca foi utilizada
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domingo, 30 de outubro de 2011
Carolina Avansini <br> Reportagem Local 
Maringá- Em um grande terreno do Distrito de Iguatemi, na Zona Rural de Maringá (Noroeste), o abandono tomou conta do que seria a esperança de diversificar a produção agrícola e melhorar a renda de pequenos produtores da região. Batizada de ''Fábrica de Polpa de Frutas'', a obra construída com recursos municipais, estaduais e federais - como expõe a placa de inauguração datada de 2007 -, começou a ser planejada no final da década de 1990 para incentivar a produção e industrialização de frutas.
A estrutura foi construída e entregue para a Associação de Pequenos Produtores Rurais de Iguatemi, atualmente inativa. Conforme o agricultor Onivaldo Barris, um dos diretores da entidade à época, a ideia era implementar o plantio de maracujá para ser despolpado, o que garantiria melhores condições de comercialização.
A demora na conclusão da obra, porém, acabou desestimulando os pequenos agricutores. ''Quando a fábrica ficou pronta, quase dez anos depois, já não havia mais lavoura de frutas na região'', relata. Outro fator dificultante foi a troca de governo municipal. ''A nova administração (que não responde mais pela prefeitura) tinha uma visão diferente sobre a viabilidade das pequenas propriedades.''
Em visita ao local, a reportagem da FOLHA constatou o desperdício dos recursos no grande galpão totalmente acabado, inclusive com estrutura de iluminação e hidráulica, com várias máquinas para extração de polpa de frutas que nunca foram utilizadas. Em uma construção ao lado, onde já funcionou um colégio agrícola, uma família foi autorizada a morar para cuidar do patrimônio e evitar maior depredação e roubos.
Em uma terceira construção, em frente à fábrica mas do outro lado da estrada, sobrevive o que restou de uma estrutura para detenção de pessoas, similar a uma cadeia, com 14 celas, banheiro com oito chuveiros e local que poderia funcionar como refeitório. Prefeitura de Maringá, Secretaria Estadual de Justiça e Secretaria Estadual de Segurança Pública não souberam informar a quem pertence a obra e qual a finalidade para que foi construída.
Com relação à fábrica de polpa, o agricultor Barris lembra que a burocracia e a demora para concluir a obra, apesar de decisivas, não foram as únicas responsáveis pelo fracasso do projeto. ''Os agricultores foram imediatistas, não souberam esperar. Muita gente ainda tem aquela cultura individualista da época do café'', avalia.
A falta de planejamento transformou a esperança em difícil realidade. ''Muitos pequenos proprietários mantém os sítios, mas preferem trabalhar na cidade. Outros venderam as propriedades para loteadoras de chácaras de lazer.''
O atual secretário de Desenvolvimento Econômico de Maringá, Valter Viana, afirmou que a fábrica está inativa porque os agricultores não conseguiram manter o projeto de maneira auto sustentável. ''A prefeitura não pode colocar funcionários para fazer suco'', questiona.
Ele não soube precisar quanto foi investido na fábrica, mas ressaltou que a administração municipal vai ceder o local para uma cooperativa interessada na extração de polpa de frutas. ''Eles vão se organizar e tocar a fábrica em parceria com a UEM (Universidade Estadual de Maringá).''


