'Extinção da araucária já não é só mais uma ameaça'

Especialista em araucária há mais de 30 anos, o engenheiro agrônomo e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Flávio Zanette é enfático ao cravar: "o símbolo do Estado entrou definitivamente em processo de extinção". Ele nega fazer catastrofismo e assegura que se nada for feito, as futuras gerações só poderão apreciar a beleza do pinheiro-do-paraná em fotos ou vídeos. "Falar em ameaça de extinção demanda de interpretação. A semântica nos permite dizer que ela está em extinção no cenário atual", alerta.
Zanette expõe que, ironicamente, a legislação ambiental brasileira que proíbe o corte das araucárias é a principal barreira para a regeneração da espécie. Ele explica que os produtores, com medo de perder espaço na propriedade, arrancam as árvores antes que elas atinjam a fase adulta. "Araucária não é peça de museu. A árvore vive em média 200 anos. Os exemplares que temos no Estado são todos antigos, não há renovação. O homem não planta e o que nasce ele não deixa viver", comenta.
Para o engenheiro agrônomo, a araucária deve ser salva não só pela beleza ou pela relevância icônica, mas pela importância econômica para os territórios. "Além de fornecer madeira de qualidade incomparável a qualquer outra espécie, ela produz pinhões, algo que é de altíssimo rendimento para os produtores", avalia. O professor explica que as araucárias plantadas podem ser cortadas posteriormente, ao contrário das nativas. "Não há problema em cortar, desde que se plante. O problema é a dificuldade do proprietário de provar que ele que plantou aquela árvore", conta.
O professor afirma que a floresta de araucária só vai se recuperar com políticas públicas de incentivo ao cultivo. "Os fragmentos de mata se tornaram incomunicáveis sem corredores biológicos. O isolamento insular não permite a conectividade de flora e fauna", aponta. "Em muitos casos, a solução implica até mesmo em abrir clareiras na mata, pois a araucária necessita da luz do sol para crescer forte. Mas isso tem de ser feito de acordo com técnicas apropriadas", adverte. (C.F.)





