Expressão de sentimentos incomoda, diz psicólogo
PUBLICAÇÃO
sábado, 13 de abril de 2013
Marian Trigueiros <br> Reportragem Local 
Um dos motivos da grande mobilização de militantes e cidadãos nas redes sociais tanto a favor como contra a união homoafetiva é o grande incômodo que tem causado a expressão dos sentimentos desses grupos, principalmente dos jovens contemporâneos, que não reprimem suas vontades e desejos. A análise é do psicólogo Marcio Neman, integrante do Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Sexualidade (GEPS) da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Enquanto as relações eram obscuras, escondidas e estavam na marginalidade, não geravam preocupação, resume.
Conforme o psicólogo, a partir do momento em que as pessoas decidem reivindicar o direito de serem felizes assumindo sua orientação sexual e diversidade de gênero, consequentemente, os direitos civis vêm embutidos. Os gays, lésbicas, travestis e transexuais não admitem mais serem cachorro morto da sociedade. Querem e cobram pela equidade dos gêneros em todos os âmbitos da vida. Nem todos pensam ou desejam se casar, adotar crianças, mas querem o direito de poder renunciar a esse direito.
Para tanto, ele frisa que a discussão deve ser feita de maneira a pensar em campanhas educativas e penalizações quanto às práticas homofóbicas. A punição certamente vai fazer com que os politicamente corretos pensem duas vezes antes de manifestar pensamentos preconceituosos. Enquanto isso, a relação hierárquica e de poder, até então vertical, vai se transformando em horizontal, tornando as relações em pé de igualdade, exemplifica Neman.
Variáveis de gêneros
Desenvolvendo atualmente sua pesquisa de doutorado sobre Fotografia e Gênero, o fotógrafo Nenê Jeolás teve contato com diversos gêneros em suas andanças. Há muito mais variáveis existentes hoje e deve haver espaço para todas essas manifestações de sexualidade e orientação. A sociedade tem que aprender a lidar com isso, definitivamente, diz.
Como muitas pessoas que trabalham com a questão, porém pela ótica da arte e cultura, ele também critica as intervenções religiosas, inclusive na bancada política. O Estado laico deve garantir o direito de simetria, gênero, raça, defende.


