Explosão de vapor matou 120
PUBLICAÇÃO
sábado, 03 de novembro de 2001
Emerson Dias<bR>Foz do Iguaçu 
Oficialmente, a história dos rios que formam a tríplice fronteira é marcada por três grandes tragédias. A maior delas aconteceu em 1924, quando um navio a vapor explodiu no Rio Iguaçu, matando pelo menos 120 passageiros.
A última foi registrada em 5 de setembro de 1999, data em que sete pessoas morreram. Mesmo sendo inverno, a seca castigava a região oeste do Estado, reduzindo a vazão das águas e estreitando o Rio Iguaçu. Por volta das 10h30, o maior barco do Macuco Safari (empresa que promove passeios em direção às Cataratas do Iguaçu) saía do porto e subia a correnteza levando 23 turistas para verem de perto as famosas quedas do rio, enquanto outra embarcação com dez pessoas, incluindo o piloto Cândido Siqueira, voltava do passeio em direção ao atracadouro.
O choque aconteceu em um trecho estreito. Segundo as investigações da polícia, Siqueira não teria mantido o barco no seu lado direito do rio, desrespeitando as normas marítimas internacionais. O piloto e outros seis turistas morreram.
Outro acidente grave aconteceu em um dos recantos mais conhecidos do Paraná entre os anos 70 e 80: o Parque de Sete Quedas em Guaíra (hoje submersas pelo Lago de Itaipu). O acidente não envolveu nenhuma embarcação, mas provocou a morte de 14 pessoas. Em 17 de janeiro de 1982, um grupo de turistas circulava em uma ponte pêncil construída sobre o salto de número 14. Os cabos que sustentavam a ponte romperam, derrubando os visitantes na garganta formada pelas cachoeiras.
A maior tragédia no entanto não possui registros fotográficos e seus detalhes foram passados de pai para filho. ''Meu pai, José Werner, foi um dos poucos sobreviventes da explosão do vapor Santa Cruz, em 1924. Reencontrar ele foi uma das maiores felicidades da minha mãe (Olivia Matte Werner)'', comentou Darci Werner, 86 anos, integrante de uma das famílias mais tradicionais de Foz, lembrando que uma tia também sobreviveu ao acidente. A Folha buscou registros históricos sobre o caso e encontrou uma entrevista do pioneiro, concedida ao Jornal Nosso Tempo em 1981. Para mostrar o medo e o desespero dos envolvidos no acidente, nada melhor que reproduzir a história narrada pela própria vítima: José Werner:
''Vínhamos de Curitiba pelo Rio Iguaçu. Éramos cerca de 150 pessoas, a maioria era de turistas que iam para a Argentina. De madrugada, quando a todos dormiam, ocorreu a explosão. Era proibido, mas o barco transportava seis tambores de gasolina. No momento da primeira explosão, estava perto da minha irmã, que se agarrou em mim. Logo eu não vi mais nada porque ocorreram outras explosões. Quando me dei conta, estávamos no meio d'água e do fogo. Sofri queimaduras graves, principalmente no rosto. Foi um acidente terrível. Morreram mais de 120 pessoas''


