Existe vida fora da rede
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sábado, 16 de março de 2013
Silvana Leão <br> Reportagem Local 
Em uma época em que as notícias correm o mundo em questão de minutos e uma rede invisível de um bilhão de pessoas de todo o planeta permite encontros e reencontros antes improváveis, não utilizar mecanismos virtuais para ''turbinar'' o convívio social soa quase como uma heresia. Mesmo assim há quem nunca tenha se rendido aos encantos do Facebook ou tenha desistido dele, sem intenção de recuperar o perfil. Os motivos para isso são diversos, e vão desde a preocupação com o excesso de exposição até a simples constatação de que é perfeitamente possível viver sem a ferramenta.
''Meus amigos brincam, dizem que vão fazer uma campanha para que eu entre no Facebook, porque sou o único que não tem. Eles até se oferecem para criar o meu perfil'', conta o produtor musical e vocalista da Banda Pedrera Júlio Anizelli, de 40 anos. Ele se diverte com a insistência, mas mantém-se irredutível: ''Nunca tive e não pretendo ter''. No seu caso, os motivos não estão ligados à falta de intimidade com a tecnologia, mas ao seu intenso convívio com ela. ''Uso computador o dia inteiro para trabalhar. A última coisa que quero, quando chego em casa à noite, é continuar olhando para uma tela. Prefiro conversar com minha mulher, descansar'', argumenta Anizelli.
Ele revela que também nunca teve Orkut, nem Twitter. ''O máximo que uso é e-mail. É por ele, ou pelo telefone, que converso com meus clientes e com meus amigos. Todos já sabem disso, e não sinto necessidade de fazer parte de uma rede social. Hoje em dia parece que todo mundo se sente obrigado a isso. Penso que há várias formas de uma informação chegar até mim. Se não chegar, é porque não é essencial'', argumenta. O produtor confessa que se um dia, por questões profissionais, sentir necessidade de integrar a rede, gostaria que alguém administrasse seu perfil. ''Não tenho paciência para isso'', admite, reconhecendo, porém, que o Facebook é a ferramenta do momento.
Já a jornalista Camila Cardoso Rahal de Almeida Camargo, de 27, conta que esteve no Facebook durante três anos, e que a rede virtual lhe foi muito útil principalmente no período em que morou fora do País, logo depois de se formar. ''Eu usava muito para falar com amigos e familiares.'' Ao voltar para o Brasil, porém, passou a se incomodar com o excesso de exposição e com a superficialidade dos relacionamentos. ''Parece que ninguém está realmente preocupado com o outro.''
Para Camila, hoje o mundo virtual exerce grande domínio na vida das pessoas, o que, segundo ela, chega a criar situações constrangedoras. ''Há pouco tempo eu estava em um grupo de amigas e todas começaram a entrar no Facebook pelo iPhone, menos eu. Me senti sozinha ali'', relata, confessando que muitas vezes sente falta das conversas ''olho no olho''. ''Acho que o número de pessoas nestas redes tende a ser cada vez maior, porque isto aguça a curiosidade das pessoas. Mas um dos problemas que vejo é que há muita gente sem noção, que comete exageros desnecessários, assim como tem aqueles que usam o Face para picuinhas'', argumenta a jornalista.
Popularidade
Para a psicóloga Cíntia Aparecida Barbizan, especializanda em Neuropsicologia, uma das explicações para a tamanha popularidade do Facebook é o fato das redes sociais serem fontes imediatas de obtenção de atenção sem um alto investimento ou custo. ''Basta um clique para que um grande número de pessoas tenha acesso ao que você está fazendo naquele momento ou está sentindo. Isso o tornou uma poderosa arma de comunicação e fonte inesgotável de possibilidade de conhecer pessoas, se divertir, obter prazer'', constata a psicóloga.


