O amor expresso pelas mães aos filhos toma uma proporção ainda maior quando o diagnóstico médico revela que a criança possui necessidades especiais por causa de deficiências físicas ou motoras. Mães passam a viver exclusivamente para os filhos com dedicação total durante anos e sacrificam as relações, o lazer e o trabalho com o único objetivo de ver o desenvolvimento e a felicidade da criança. Com o passar do tempo, filhos especiais descobrem que suas mães também são muito especiais.

Daiane de Souza suspeitou que a filha Stephany poderia ter alguma deficiência quando a menina tinha nove meses e apresentava dificuldades para sentar. Depois do médico confirmar a paralisia cerebral, a mãe buscou informações sobre a deficiência e passou por um período de adaptação. "No começo foi difícil, mas fui atrás dos médicos para conhecer melhor a deficiência da minha filha e passei a aceitar aos poucos. Até hoje, sempre estou aprendendo muita coisas com ela", diz.

No processo de adaptação, Daiane parou de estudar e trabalhar, realizou mudanças no carro e aprendeu como dar banho e comida para atender a filha com mais atenção e conforto. "Vivemos para ela todos os dias. Eu deixei tudo para me dedicar e meu marido passou a trabalhar até de noite para que a Stephany tivesse condição de receber um bom tratamento", conta.

Aos 13 anos, Stephany estuda na Associação Flávia Cristina, em Londrina, onde aprendeu a escrever e pintar com os pés. "Ela é muito inteligente. Usa o computador e entra no Facebook para ver as fotos da família com os pés. Fico emocionada ao ver a superação e desenvolvimento dela."

Dedicação

Mais de 20 anos após o acidente automobilístico que provocou a paralisia motora no lado esquerdo do filho de dois meses, Valdinéia Maria Jacob mostra dedicação e altruísmo ao falar de Leandro. Apesar da evolução na parte acadêmica, ela relata que o filho ainda é muito tímido e tem dificuldades para se expressar com outras pessoas. No entanto, Leandro descobriu a "melhor amiga" dentro de casa. "Há nove anos, ele é atendido pela associação, mas quase ninguém ouviu ele falar. Quando estamos juntos, ele me conta tudo o que aconteceu na escola. Essa comunicação é muito importante, pois sempre sei como ele está se sentindo", revela.

Leandro, atualmente com 24 anos, escreve, desenha e usa o computador sempre com a mão direita. Valdinéia diz que a atividade preferida do filho é passear nos supermercados e nos shoppings da cidade. "Ele gosta muito de ver pessoas diferentes e passear entre elas. O Leandro é muito social e sempre fica contente quando tem uma festa ou apresentação, como a do Dia das Mães", acrescenta. Na opinião dela, alguns locais da cidade ainda necessitam de adaptações para receber as pessoas com necessidades especiais. "Infelizmente, ainda encontramos estabelecimentos sem acessibilidade, o que dificulta a locomoção das pessoas que usam cadeiras de roda."

Vovó, a segunda mãe

"Olha o meu príncipe", diz a avó Maria Ecília quando o aluno Giovane, de 18 anos, aparece durante a entrevista para a FOLHA na Associação Flávia Cristina. A família saiu do Pará há mais de 10 anos e veio para Londrina em busca de um local para tratamento da paralisia, diagnosticada após o parto por falta de oxigenação do cérebro. Junto com os pais de Giovane, a avó Maria Ecília veio exclusivamente para cuidar do neto. "Ele é tudo para mim. Meus filhos falam que eu preciso viajar, mas eu não deixo o Giovane e vou cuidar dele até quando Deus me der força", afirma.

Maria Ecília conta que o jovem gosta de brincar com bola e dança na cadeira de rodas quando ouve música. "Eu amarrei uma bola em uma corda no teto e ele gosta muito de jogar a bola pra lá e pra cá. O Giovane tem dificuldades na fala, mas com a convivência que temos, eu entendo tudo o que ele quer", garante a avó, que acompanha o neto, diariamente, na van adaptada pelo município até a associação.

A dedicação de Maria Ecília é muito importante para a família, já que os pais de Giovane trabalham com artesanato para o sustento do lar. "Ele já passou por oito cirurgias. Mas, Deus dá o frio conforme o cobertor e continuamos lutando todos os dias. Vó é mãe três vezes: cuida do filho, do neto e até do bisneto."

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