Exemplares locais não conseguem se reproduzir
José Marcelo Domingues Torezan, professor da área de Botânica do Departamento de Biologia Animal e Vegetal da Universidade Estadual de Londrina (UEL), afirma que as poucas araucárias localizadas na área urbana londrinense "certamente são todas plantadas".
"Na latitude em que estamos, a ocorrência natural de araucária é verificada apenas 700 metros acima do nível do mar, e a área urbana de Londrina está entre 500 e 600 metros. A espécie depende de frio. Em áreas mais baixas, você pode plantar, ela cresce, fica bonita, mas não se reproduz", explica o professor.
"Na região, tínhamos algumas manchas (de araucárias) naturais, que não existem mais, na região sul do município, em Lerroville (distrito rural), Tamarana, que era distrito de Londrina e depois se emancipou, em picos que atingem ou passam dos 700 metros, e também em algumas áreas de Apucarana, Arapongas", diz Torezan.
O professor relata que a área de mata atlântica na região de Londrina tinha outras espécies recorrentes, principalmente peroba rosa e palmito, diferente do que predominava no Sul do Paraná. Este, por ter sido colonizado bem antes, forjou os símbolos e a identidade histórica paranaenses.
"A bandeira do Paraná traz ramos de mate e araucária, e o mate está muito associado à araucária, onde há uma espécie tem a outra. No Norte do Paraná, até existe mate, mas é muito raro, é considerado uma curiosidade botânica", justifica.
Torezan argumenta que a presença de araucárias na área urbana de Londrina tem mais "importância cultural" do que biológica, pelo fato de essas árvores estarem "isoladas do resto". "Londrina se gaba de ter muitas áreas verdes, mas não tem tantas assim. Então, qualquer área verde deve ser valorizada", afirma.
Por não serem nativas, as araucárias londrinenses não recebem atenção dos entes oficiais que tratam da preservação ambiental. A Secretaria Municipal do Meio Ambiente e a direção do escritório regional do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) informaram que não mantêm projetos para as araucárias em Londrina. (F.G.)





