A funcionária pública municipal Márcia (nome fictício), 46, nunca imaginou que seria vítima da síndrome do pânico até ter a primeira crise, neste ano. Consciente de que sofria uma leve depressão há dois anos, ela não procurou ajuda para melhorar até o dia em que, de repente, sentiu falta de ar insuportável, taquicardia e uma sensação de que iria morrer. ''Foi muito ruim. Não dá para descrever'', conta ela, que teve outras duas crises em duas semanas e associa o sintoma ao excesso de trabalho. ''Não consigo manter uma rotina de descanso e lazer'', lamenta.
Atuando em um setor que atende pessoas em situação de extrema vulnerabilidade, ela conta que sente-se frustrada por não conseguir realizar o trabalho da maneira que considera ideal para ter efetividade. Somando a frustração a uma personalidade ''do tipo que assume responsabilidades sem limites por não saber dizer não'', Márcia parece ter encontrado a explicação para o sentimento de angústia que levou à síndrome do pânico.
''Acho que é reflexo da vida moderna'', opina ela, que tem uma jornada de trabalho de seis horas, mas não consegue desligar das obrigações durante o resto do dia. ''Com a internet, a gente se cobra por estar sempre informada. Além disso, podemos nos comunicar 24 horas por dia. Isso me fez perder o limite'', diz.
Por outro lado, ela acredita que, nos ambientes de trabalho, ainda não há suporte para lidar com as consequências das pressões diárias. ''Somo cobrados excessivamente, mas não recebemos apoio quando não damos mais conta.''
No caso de Márcia, o sinal de alerta aceso pela crise ainda não foi suficiente para provocar mudanças de hábito verdadeiras. Tomando remédios para controlar o pânico, ela foi orientada a fazer exercícios físicos e procurar terapia, mas ainda não conseguiu estabelecer uma nova rotina. ''Quero mudar minha vida até o final de ano, mas a verdade é que fiquei acomodada pelo uso dos remédios'', resigna-se. (C.A.)

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