Adilson Duarte dos Santos, 25 anos, trabalha, hoje, como ''mestre'' na confecção de redes esportivas para a Paraná Esportes. Casado, pai de três filhos, pegou pena de seis anos e dois meses por roubo. Já cumpriu um ano e oito meses e aguarda a apreciação de seu processo para cumprir o restante da pena em regime aberto. ''Queria trabalhar no programa Pintando a Liberdade como monitor em cursos para os presos ou abrir uma loja de bolas e redes lá em Londrina'', diz.
O sonho de Santos, na verdade, é compartilhado pela maioria dos presos que trabalham no programa ''Pintando a Liberdade''. Segundo Roberto Canto, coordenador do programa no Paraná, cinco ex-presos trabalham hoje para o projeto como monitores em presídios de outros Estados. ''Aqueles que se destacam são contratados como autônomos para ensinar presos de outros lugares a fazer as bolas, redes e bonés''. Além de alimentação e estadia, eles recebem entre R$ 1 mil a R$ 1,5 mil por mês.
A Paraná Esportes é autarquia estadual. O programa ''Pintando a Liberdade'' surgiu em convênio entre os governos estadual e federal, que prevê a implantação de fábricas de bolas, redes esportivas e bonés nos presídios de vários Estados.
Todo material produzido é distribuído a entidades e crianças carentes. No ano passado, o programa investiu R$ 1,063 milhão, sendo 75% do governo federal e 25% estadual e beneficiou cerca de 300 mil crianças.
No Paraná, o projeto foi implantado na Penitenciária Provisória do Ahú, Penitenciária Feminina e Colônia Penal. Ao todo, são produzidas cerca de cinco a seis mil bolas por mês no Estado. Só na Colônia são 200 bolas e entre 100 a 200 redes em média.
''Estou só esperando para saber onde vou trabalhar'', dizia Luiz Carlos Phauloz, 38 anos, que saiu da Prisão Provisória do Ahú no dia 5 de setembro e está sendo contratado para trabalhar no programa. Com pena inicial de seis anos por tráfico, ele reduziu seu tempo para quatro anos e seis meses graças à remissão de pena permitida pelo trabalho. (M.G.)

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