Ex-ministro defende abertura da economia
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sábado, 07 de junho de 2014
Nelson Bortolin<br> Reportagem Local 
Abrir a economia, reduzir o custo Brasil, ampliar a infraestrutura e aumentar a taxa de investimento. Estes são alguns dos desafios da economia brasileira para 2015, com a posse do novo presidente ou o início do segundo mandato de Dilma Rousseff. Com essas medidas, o País recompõe a confiança externa e volta a crescer em ritmo mais acelerado. A receita é do economista, ex-ministro da gestão FHC e professor da Fundação Dom Cabral (FDC), Paulo de Tarso Almeida Paiva, apresentada ao público presente na primeira edição do EncontrosFolha.
"Segundo o Fórum Econômico Mundial, somos o 144º País do mundo no ranking de economias abertas, perdendo apenas para a Coreia do Norte", comparou. A mesma instituição classifica o País em 56º lugar no ranking de produtividade. "O Brasil caiu oito posições de 2012 a 2013", disse.
Já a taxa de investimento, que está numa média de 18% do Produto Interno Bruto (PIB), tem de subir para, ao menos, 22%. "Só para vocês terem uma ideia, na China, a proporção de investimento é de 40% do PIB. Investindo pouco, ficamos dependentes do investidor externo. Mas, se nós mesmos não estamos confiantes na nossa economia, imaginem o estrangeiro", afirmou.
Além de se abrir para o mundo e investir mais, Paiva ressalta que o País terá de fazer as reformas trabalhista, tributária e previdenciária, para reduzir o custo Brasil. E ainda construir uma "boa governança e excelência gerencial".
O professor fez um diagnóstico do atual momento econômico, "marcado pela inflação alta e crescimento baixo", e afirmou que o modelo de estímulo à economia por meio do consumo, adotado pelo ex-presidente Lula e a sua sucessora, se esgotou. "Naquele momento, 2009, a decisão do Lula, de estimular o consumo, desonerando setores da indústria e expandindo o crédito, foi correta. Era uma forma de proteger o Brasil da crise", ressaltou. Mas, a partir de 2011, no primeiro ano sob Dilma, essa política se mostrou ineficaz e agora é preciso apostar em investimentos.
O economista diz que o atual governo está desmontando o tripé econômico criado durante as gestões tucana, de controle de inflação, superavit primário (gastar menos que arrecada), e câmbio flutuante. Uma das maiores preocupações do professor é com a inflação que, segundo ele, pode romper o teto da meta (6,5%) neste ano. "Lamentavelmente, a partir da segunda metade do governo Lula e no governo Dilma estamos trabalhando com leniência em relação à essa meta".
Segundo ele, embora o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) esteja em 6,3%, a inflação nos preços não administrados pelo governo chega a 8%. "Se o governo não estivesse segurando os preços de combustíveis, energia elétrica e transporte urbano, a situação seria pior. Uma hora, eles terão de ser liberados", declarou. O maior risco, na opinião de Paiva, é de um processo de indexação da economia. "A inflação alta por muito tempo pode fazer com que o empresário queira se proteger e já incorporá-la nos seus preços", avaliou.


