Além de passar por dificuldades financeiras após perder as terras no Paraguai, o publicitário e ex-agricultor Normélio Althaus também está com a saúde debilitada depois de passar por sessões de tortura durante várias prisões. As primeiras detenções aconteceram em 1978, quando foi acusado de não honrar as dívidas das terras arrendadas.
''Fui levado várias vezes à prisão de Canandeyú, sem que houvesse qualquer inquérito. Ficava preso por semanas, acusado de contrabando, subversão e até de espionagem'', comentou Althaus, lembrando que, coincidentemente, possuía credenciais de detetive particular devido a um curso feito na adolescência.
O pior período em que passou nas cadeias paraguaias foi em 1981, quando foi torturado e dopado pelo ''soro da verdade'', droga normalmente usada pelos regimes militares da América do Sul para conseguir falsas confissões. Avaliações médicas comprovaram ''danos à saúde, problemas cardíacos e psicológicos'', sendo levado para internamento durante quase um mês.
''Fugi do país e o processo parou. Quando retornei ao Paraguai, fui preso outras duas vezes e ameaçado de morte pelo Serviço Nacional de Inteligência do Paraguai'', denunciou o publicitário. ''Uma denúncia foi enviada ao SNI brasileiro''.
Em 1983, foi escoltado por soldados até a fronteira e obrigado a abandonar o Paraguai. A volta ao país vizinho foi possível somente após o fim da ditadura do general Alfredo Stroessner, deposto em 89. Não há dados oficiais, mas estima-se que 260 brasileiros estão presos em cadeias paraguaias. O consulado brasileiro informou que nenhum deles é preso político. (E.D.)

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