EVOLUÇÃO - Da madeira ao chip
PUBLICAÇÃO
domingo, 02 de novembro de 2014
Fábio Galão<br>Reportagem Local 
A eleição deste ano foi a décima a utilizar a urna eletrônica no Brasil. A novidade foi implantada nas eleições municipais de 1996, a princípio nas capitais e nas cidades com mais de 200 mil eleitores. Nas eleições gerais de 1998, o sistema informatizado foi levado a todos os municípios com mais de 40 mil eleitores. Por fim, foi estendido a todas as cidades brasileiras em 2000.
A rapidez da apuração é um dos trunfos dos defensores da urna eletrônica. Na última eleição presidencial antes da implantação do sistema, em 1994, o candidato Fernando Henrique Cardoso (PSDB), vencedor do pleito em primeiro turno, só deu uma entrevista coletiva se dizendo vencedor da disputa três dias após a votação. Ainda assim, àquela altura, apenas 62% das seções eleitorais haviam tido seus resultados contabilizados. No dia seguinte, quando o candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) admitiu a derrota em uma entrevista, a apuração havia sido encerrada em 80% das seções.
Na eleição presidencial do último domingo, a disputa já estava matematicamente definida às 20h30, apenas três horas e meia após o encerramento da votação nos Estados em que vigora o horário brasileiro de verão.
Ivan Gradowski, de 79 anos, ex-diretor geral da Secretaria do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR), acompanhou de perto a transição do voto de papel para o eletrônico.
Ele ingressou no TRE-PR em 1953, em Curitiba, como mensageiro, espécie de office boy da época. Exerceu outros cargos no tribunal, nas seções de pessoal e administrativa e assessorias, antes de assumir a diretoria geral, em dezembro de 1978, cargo que ocupou até sua aposentadoria, em janeiro de 2012.
Gradowski diz que nunca calculou de quantas eleições participou, mas estima que foram "no mínimo 30". Quando começou a trabalhar no TRE-PR, as urnas eram de madeira. Depois, surgiram as urnas de lona, que ainda são usadas nas eleições, para o caso de a urna eletrônica de uma seção apresentar algum problema irreparável. Já há quase 20 anos, é utilizado o voto eletrônico.
"O grande problema era a contagem de votos nas mesas receptoras, que era um processo manual e muito demorado. Nos anos 70, colocamos aproximadamente mil mesas de escrutinação nas sedes do Jockey Clube e da Associação do Banco do Brasil, o que possibilitou uma contabilização mais rápida em relação ao resto do País", afirma Gradowski.
O ex-diretor explica que, nas eleições em que trabalhou, atuou na coordenação dos pleitos, e não na contagem, "porque os funcionários da Justiça Eleitoral eram legalmente impedidos". "Quem contava eram funcionários públicos requisitados, municipais, estaduais e federais. Isso gerava reclamação de partidos políticos, pois achavam que poderia haver influência desses funcionários na contagem dos votos", relata.
"Ocorriam fraudes eventualmente, mas principalmente erros. E havia a interpretação. Se o eleitor assinalasse fora do quadrado, mas mais perto de um determinado nome, aquilo exigia uma interpretação. E a interpretação é sempre perigosa, mesmo aquela de mais boa fé desperta desconfiança", aponta Gradowski.
LEIA MAIS
Aviões buscavam boletins no interior


