Ivan Gradowski diz que a eleição de apuração mais demorada em que trabalhou foi um pleito municipal, em que o resultado demorou mais de 30 dias para ser consolidado.

"Estávamos tentando fazer a totalização eletrônica, muitos anos antes da implantação da urna eletrônica. Contratamos a Datamec (empresa de processamento de dados, que seria privatizada em 1999), da Caixa Econômica Federal, e como ela não tinha experiência em eleições, e nós não tínhamos experiência em informática, houve um desencontro total. Os dados inconsistentes se acumulavam de forma assustadora. O gerente da Datamec que estava coordenando o trabalho teve uma crise nervosa. Nas eleições seguintes, nós contratamos outra empresa, não porque não confiávamos na Datamec, mas porque foi feita uma licitação", descreve o ex-diretor do TRE-PR.

Outra época de desafios, hoje lembrada com bom humor, foi quando o TRE-PR passou a utilizar aviões monomotores e bimotores para buscar boletins de urna no interior.

"Essa medida transformou o Paraná em pioneiro na rapidez de apuração. Para haver transparência, a gente chamava um representante de pelo menos um partido para ir conosco no avião buscar o boletim. O problema é que às vezes era difícil encontrar alguém que tivesse coragem para viajar de avião", diz Gradowski, aos risos. "Havia um espírito aventureiro. Uma vez, fomos buscar um boletim em Nova Londrina (Noroeste), e lá não havia pista de pouso. Fomos de avião para Londrina e partimos para Nova Londrina de helicóptero. Quando chegamos, foi um acontecimento na cidade."

Ele aponta que a urna eletrônica foi uma novidade bem recebida instantaneamente. "Houve pouquíssimos casos em que as pessoas não souberam votar, praticamente ninguém. É claro que toda novidade gera desconfiança. Muitos políticos atribuíam suas derrotas à urna eletrônica, porque buscavam se justificar com algo além da própria incompetência. Mas hoje ela está consagrada pelo uso. Ninguém mais questiona o resultado de uma eleição. Antes, em eleições com pouca diferença de votos, era certeza de que haveria pedido de recontagem. Desde que se afastou o homem do processo de escrutinação, ninguém mais duvida de que voto feito na urna é voto computado", argumenta Gradowski.

"O que se questiona não é mais o voto, e sim a formação do voto. Temos abuso do poder econômico, da influência de certos veículos de comunicação, mas esses são problemas que ocorrem em democracias no mundo todo, não só no Brasil", acredita. (F.G.)

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