Uma nova polêmica ronda as discussões em torno do Projeto de Lei (PL) 122, em trâmite no Senado, que propõe a criminalização da homofobia. Para o deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ), pastores e padres que pregam a ''cura'' ou ''recuperação'' de homossexuais em programas de rádio e TV devem ser sancionados, com punição estabelecida por lei.

O assunto é tema de debates acalorados. Para os ativistas gays, a homossexualidade não é uma doença e, portanto, não necessita de cura, o que coloca a abordagem religiosa no rol dos preconceitos. Já os representantes das igrejas defendem tratar-se de um comportamento adquirido, que pode ser mudado com ajuda da fé.

O pastor Marcos de Lima, atualmente no comando do Espaço Cristão Inclusivo, em Londrina, viveu os dois lados dessa história. Casado com Mauro Aparecido Rodrigues desde setembro do ano passado, ele, que frequenta igreja evangélica desde a infância, se tornou ministro da mesma denominação na vida adulta.

Conta que negou a própria orientação sexual até os 27 anos, por acreditar que o relacionamento com outros homens seria pecado. ''Eu sempre soube que era 'estranho', mas não conseguia aceitar que era homossexual'', comenta.

Em Londrina, ele atende presencialmente 30 pessoas, mas mantém contato com outras 600 pela internet. ''A maioria são evangélicos homossexuais em conflito'', diz ele, acrescentando que essas pessoas, assim como ele, não querem abrir mão da fé cristã apesar da identidade homossexual.

O conforto viria através da própria Bíblia, que, na interpretação dele, não condena a homossexualidade. ''Deus, na sua onisciência, sabe que cada fecundação vai gerar um hétero ou um homossexual.''

Leia mais na reportagem de Carolina Avansini.

mockup