Segundo o IBGE, os países de onde mais retornaram brasileiros entre 2005 e 2010 foram Estados Unidos (cerca de 43,7 mil pessoas), Japão (36,9 mil) e Portugal (16,4 mil), que estão entre os que mais sofreram com a crise econômica mundial iniciada no período.
A família da dona de casa Isaura Katsue Inoue Nascimento, de 50 anos, foi para o Japão e voltou de lá algumas vezes desde o início da década passada. Com a crise no país asiático, decidiram retornar de vez para o Brasil há quatro anos. Isaura aponta que o menor poder de compra do salário do brasileiro foi o maior impacto que a família sentiu. ''Aqui, o que um trabalhador ganha não dá para comprar nada'', reclama.
A atendente de telemarketing Maria Elena Antunes de Oliveira, de 48, voltou para o Brasil em 2008, após morar dois anos e meio em Portugal. Sua filha, Vitória, nasceu em Lisboa. ''Fui para trabalhar. Além disso, minha irmã e meu cunhado já estavam lá. Eu fiquei grávida no Brasil e fui para Portugal para ter um amparo, porque eu não tinha mais ninguém aqui'', explica. Maria Elena trabalhou com lançamento e arquivamento de faturas em uma multinacional de vendas de material escolar e de escritório.
Maria Elena diz ter adorado Portugal (ela elogia ''a cultura, a educação do povo''), mas teve que voltar quando veio a crise e seu contrato de trabalho não foi renovado. ''Lá não havia mais emprego nem para os portugueses'', lembra. No retorno, morou primeiro em Goiânia e depois voltou para Londrina.
A atendente diz ter sentido uma ''grande diferença'' no comportamento da população, mas não sentiu falta de trabalho: foi consultora de vendas, trabalhou em uma empresa de telefonia e como secretária antes de chegar à área de telemarketing.
''O Brasil, nesse aspecto, está muito bem. Tem muitas oportunidades e opções. Hoje, jamais sairia do Brasil por questão de emprego. A gente ouve muita coisa, tem um amigo na Inglaterra que está voltando porque lá a situação não está fácil. Amigos dos Estados Unidos estão reclamando também'', afirma Maria Elena. (F.G.)

mockup