A nutricionista curitibana Paola Altheia nunca se sentiu confortável com a obsessão de todos ao seu redor por dietas e forma física. Foi quando fazia a graduação na Universidade Federal do Paraná (UFPR), porém, que começou a questionar a constante insatisfação das pessoas com o próprio corpo e a consequente adoção de dietas mirabolantes para chegar ao famigerado "corpo ideal" propagado pela mídia, o que também observava nos ambientes das aulas de dança que frequenta desde criança.
"Comecei a estudar sobre corporeidade e mídia e percebi que aquilo tudo estava errado. Para as mulheres, é particularmente mais difícil porque somos ensinadas que nossa moeda de valor no mundo é a nossa aparência, são os nossos atributos físicos", conta ela, que diante desta reflexão resolveu criar o blog Não Sou Exposição (naosouexposicao.wordpress.com), que já conta com mais de 17 mil seguidores apenas no Facebook.
O site foi batizado assim porque ela própria se sentia como um "item exposto numa galeria". "Sempre existem discursos ao meu redor me dizendo o que eu devo desejar, o que devo vestir, o que devo comer, o que devo comprar, o que é bonito, o que é aceitável. Mas eu não existo para ser observada pelos outros pois tenho muitas capacidades além disso. Eu sou mais do que a minha aparência. Eu sou mais do que o meu corpo. Eu não sou exposição. Assim como todas as pessoas", enfatiza.
Paola conta que a intenção da iniciativa é tentar libertar as leitoras e leitores de estereótipos, discursos reducionistas e ilusões. "Meu objetivo é que pelo menos uma adolescente desista de fazer restrição alimentar e passe a amar seu corpo. Meu objetivo é que as mulheres gordas vão à praia sem canga, sem vergonha e sem pudor. Meu objetivo é que cada leitor ou leitora volte o olhar para dentro de si e descubra suas potencialidades. Meu desejo é que as mulheres entendam que não têm a obrigação de ser bonitas e que têm múltiplos talentos e capacidades. Quero que as mulheres não tenham medo de comer e de se olhar no espelho. Que se sintam à vontade com seus parceiros. Que deixem de lado as dietas infrutíferas e perigosas. Desejo que os rapazes entendam que não há vergonha nenhuma em não ser estupidamente musculoso, e que não precisam arriscar a saúde por causa de uma constituição corporal idealizada. Quero um público de pessoas emocionalmente, fisicamente, mentalmente e afetivamente saudáveis", discursa.
Ela também define a obsessão por dietas e forma física "como um problema de saúde mental coletiva". Para Paola, comer é uma atividade vital e necessária que, atualmente, é passível de gerar culpa e vergonha. "Nosso corpo e nossos hábitos alimentares se tornaram domínio público e estamos nos policiando, nos ridicularizando e nos cobrando ao ponto de afetar a nossa saúde mental. O terrorismo nutricional é tão intenso que temos pavor de ter um corpo", lamenta.
Outra bandeira levantada no blog é o fim dos estereótipos, pois, segundo a autora, "nem todo gordo é doente, nem todo magro é saudável".
Para Paola, é mais importante focar na qualidade da alimentação do que nas calorias. "Um organismo bem alimentado com comida fresca e variada dificilmente apresentará problemas de saúde. O nosso comportamento alimentar e o nosso estado emocional quando comemos são tão importantes quanto o que se come", opina.

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