A Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), em parceria com a Fundação OPTI, da Espanha - referência em prospectiva tecnológica industrial na Europa - lançou em 2005 o projeto ''Setores Portadores de Futuro para o Estado do Paraná''. O objetivo era identificar atividades e as áreas estratégicas de desenvolvimento que colocaria o Estado em posição competitiva. ''Foi traçado, então, um perfil dos caminhos a serem percorridos até o ano de 2018, conforme os setores apontados como promissores'', revela Clóvis Coelho, coordenador da Fiep em Londrina.
Depois dessa iniciativa, mais um projeto foi idealizado. ''Rotas Estratégicas para o Futuro da Indústria Paranaense'' apontou a região Norte com grande potencial na área metal-mecânica. ''Precisávamos, portanto, mobilizar, delinear as estratégicas, bem como coordenar os esforços ao objetivo inicial'', completa. Para tanto, um estudo totalmente local foi concluído recentemente. ''Cidades inovadoras - Londrina 2030'' fez emergir sete temas prioritários para o futuro da cidade, um deles Capital Técnico e Tecnológico.
Diante do diagnóstico, segundo o coordenador, para a consolidação do setor tecnológico, além de ampliar seu investimento em educação superior a curto e médio prazo, Londrina precisa criar uma integração entre a academia e empreendedores locais. ''Não há como fugir; todos esses estudos vão a uma mesma direção: a necessidade de formação técnica. No entanto, é preciso haver sinergia entre a comunidade científica e empresarial. Para isso, devemos incentivar empresas e instituições de ensino superior e pesquisa a propiciar formações mais próximas das necessidades dos mercados'', acrescenta.
Valor agregado
Mais do que aumentar o quadro de cursos ofertados, a justificativa que mais pesa ao pedido de cursos de Engenharia em Londrina é a necessidade de formação técnica para o desenvolvimento da região. Conforme o diretor do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Júlio Suzuki, não há mais alternativas para que uma cidade no estágio de Londrina possa alavancar sua economia. ''No atual contexto do município há uma demanda urgente pela diversificação na estrututura produtiva, principalmente com maior valor agregado. E isso passa pelo avanço dos segmentos da indústria tecnológica'', afirma.
E o progresso deste setor, segundo ele, está diretamente ligado à formação de profissionais especializados. ''É limitante acreditar que apenas o setor público dará conta de suprir essa carência. Por isso, há a necessidade, também, da criação de centros de formação na cidade. Um exemplo bem-sucedido é o da Fundação Tupy, em Joinville (SC), cuja parceria entre os vários setores culminou em desenvolvimento tecnológico e crescimento econômico.''
Ainda de acordo com Suzuki, a estruturação desses centros resultaria na formação técnica que se espera, na criação de produtos industriais sofisticados, mas, especialmente, na melhoria das condições de empreendedorismo. ''Não iremos formar apenas profissionais para trabalhar nas empresas. Serão, sobretudo, pessoas e empresas inovadoras localmente. Tudo isso contribui para o crescimento da região e, consequentemente, no aumento da renda per capita.''

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