ESTUDO - Paraná perde mais de R$ 1 bi por ano
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domingo, 13 de dezembro de 2015
Carolina Avansini<br> Reportagem Local 
Estudo realizado pela Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil do Paraná entre 2011 e 2014 detectou que o Estado teve um prejuízo de R$ 4.684.784,52 em virtude de desastres naturais nestes quatro anos, o que representa mais de R$ 1 bi por ano. No período, foi a seca prolongada de 2012 a que mais trouxe perdas, em virtude de quebra na safra agrícola em 165 municípios. O prejuízo, no ano, totalizou R$ 2,5 bilhões, mais que o dobro do valor perdido no ano passado, de quase R$ 1 bi.
Foram registrados no Sistema Informatizado de Defesa Civil do Estado do Paraná (SISDC) 2.157 desastres em 353 municípios. Vendaval, enxurrada, chuva intensa, granizo e estiagem representam os cinco principais tipos de ocorrências. Entre os dez desastres com maior prevalência, o estudo aponta que sete são decorrentes de chuvas. Nos quatro anos estudados, 98 pessoas morreram em função dos desastres.
De acordo com o capitão Lucas Frates Simiano, da Defesa Civil, o Estado do Paraná tem uma condição geográfica que favorece a ocorrência de chuvas intensas. Os prejuízos, porém, são causados principalmente por causa da exposição das pessoas, como é o caso das ocupações irregulares na zona urbana. "A própria caraterística das construções em regiões urbanizadas, que usam telhas mais finas, favorece que mais gente seja atingida pelos eventos, gerando grande prejuízo", diz, destacando que os desastres são "naturais" e decorrem de eventos climáticos, mas o prejuízo tem a ver com a forma como as pessoas se preparam e a maneira como são atingidas.
Ele lembra que o Paraná está participando de uma campanha mundial da Organização das Nações Unidas (ONU), chamada "Cidades Resilientes", cujo objetivo é incentivar gestores municipais a desenvolverem ações para se prepararem para enfrentar situações de emergência. "O Paraná está na fase em que os municípios se comprometem a cumprir os passos da campanha", explica.
O capitão lembra que a capacidade dos municípios é bastante limitada em relação a se preparar para os riscos, por isso o Estado tem trabalhado para fornecer instrumentos que permitam esta previsão.
"Os eventos estão se tornando mais intensos, em função das mudanças climáticas, por isso alguns municípios decretam situação de emergência e, logo depois, estão em situação crítica novamente", pontua.
Nos quatro anos pesquisados pela Defesa Civil, Maringá foi o município do interior que mais registrou desastres naturais. O gerente de prevenção de riscos da Defesa Civil do município, Cláudio Parisotto, reconhece que a cidade tem sido bastante atingida pelas chuvas, mas garante que está bem preparada para minimizar os danos. "Temos conseguido atender todas as situações rapidamente, graças à ação de 400 voluntários que já atuam nos serviços públicos", conta.
O apoio da Defesa Civil do Estado, que tem sede regional na cidade, é outro apoio importante apontado por Parisotto. "Com esta rede de apoio, é possível ter uma organização para atender as ocorrências", diz.
Segundo ele, 2013 foi o pior ano do período, quando foram registrados 15 grandes temporais. "Os prejuízos são relativos principalmente a quedas de árvores em residências e fiação elétrica. Além disso, são comuns imóveis que perdem cobertura, alagamentos e infiltrações", enumera.


