Estudante critica postura truculenta
Aos 23 anos, a estudante universitária Jaqueline Vieira conviveu diariamente com ações violentas da polícia na zona oeste de Londrina. Nascida no Jardim Olímpico, assistiu o desenvolvimento de vários bairros considerados "violentos" na região, como João Turquino, Campos Verdes e Maracanã. "A ação da polícia sempre foi truculenta", diz ela, que no início do ano foi para o Rio de Janeiro estudar Antropologia na Universidade Federal Fluminense e se assustou com a naturalidade com que a truculência policial é encarada pelos cariocas.
"Moro na zona norte e esses dias fui visitar um parente da minha tia no morro do Jacaré, que não é totalmente pacificado. Na entrada, tinha três policiais com armas que eram do tamanho de metade do meu corpo. Fiquei muito assustada, mas minha tia apenas disse que 'era assim mesmo'. Negros e pobres sofrem violência física, psicológica e simbólica", denuncia.
Jaqueline já presenciou muitas abordagens violentas entre os adolescentes da vizinhança da casa dos pais em Londrina. "Muitos deles estão em risco apenas por apresentarem o que a polícia julga como estereótipo de 'negro bandido'. Falta descolonizar o pensamento das pessoas", opina.
Como milita ativamente no movimento negro, a estudante não aceita mais a injustiça das abordagens policiais desnecessárias. "Não fico mais quieta, por isso, hoje em dia me sinto em risco de ser levada por desacato", conta. O temor maior é pela consciência de que, em um confronto, a palavra dos policiais sempre terá mais peso. "A palavra que conta não é a minha", diz.
Jaqueline defende a construção de uma identidade da população negra, que em sua maioria é vitimizada e estereotipada, para combater o racismo e a violência que decorre dele. "A polícia defende os bens privados de uma classe elevada e tira a vida da população subalterna. Não existe democracia racial no país", critica. (C.A)





