Estresse compromete dia-a-dia de PMs
PUBLICAÇÃO
domingo, 28 de janeiro de 2001
Katia Michelle De Curitiba 
Situações de risco, pressão da sociedade e do próprio comando. A rotina repleta de obstáculos e dificuldades dos policias militares contribui para o desenvolvimento do estresse. O índice de policiais que desenvolvem doenças e sintomas decorrentes do estresse, como depressão, alcoolismo e psicoses, é significativo, mas a Polícia Militar do Paraná não divulga as estatísticas, alegando que a informação só interessa ao comando.
O estresse é o estado em que o organismo fica quando submetido a longos períodos de tensão. Como os policiais estão constantemente expostos à situações tensas, estão também mais propensos a desenvolverem os sintomas. Preocupada com essa realidade, a Associação de Defesa dos Direitos dos PMs Ativos, Inativos e Pensionistas (Amae) patrocinou, há um ano, uma pesquisa com os 17 mil homens que trabalham em todo o Estado. A intenção era levantar dados, detectar e procurar soluções para o problema, mas o resultado nunca foi divulgado, nem mesmo para a Amae.
O chefe do Serviço de Ação Social (SAS) da PM, major Altair Mariot revelou que a pesquisa foi concluída e é o retrato da corporação, por isso, salienta, só interessa à PM. Ele admite que existem os casos de policiais estressados, que precisam ser afastados das funções sob risco de comprometer o trabalho. Comenta que o índice já foi maior, mas desde a criação do SAS, em 1983, está diminuindo. Não revela, no entanto, os números.
O major informou apenas que no ano passado 57 policiais de todo o Estado foram internados com problemas relacionados ao estresse. Diz que, considerando o efetivo, o número não é expressivo. O SAS colocou à disposição da Folha apenas os internamentos e atendimentos psicológicos gerais referentes ao ano passado. Foram 1.018 atendimentos psicológicos e 31 atendimentos no Programa de Avaliação e Acompanhamento de Policiais Militares Envolvidos em Ocorrências de Alto Risco. Destes, apenas 191 mantêm acompanhamento psicológico.
Para esse acompanhamento, os policiais dispõem da Clínica de Psicologia da PM, com sede em Curitiba. São seis psicólogos para atender todo o efetivo, além dos familiares. No ano passado, a clínica contabilizou sete mil atendimentos.
A demanda maior é de policiais com sintomas de estresse, conforme revela o capitão Márcio de Modesti, psicólogo responsável pela clínica. Ele comenta que os sintomas são agressividade, irritabilidade e perda de sono, o que, na maioria das vezes acarreta em problemas conjugais e no próprio trabalho. Ele esclarece que o estresse é um mecanismo de defesa do organismo, mas pode ser perigoso se vivenciado em alto grau.
O psicólogo reforça que não apenas a rotina de risco dos policiais contribui para o estresse, mas também a forma hierarquizada da profissão. Os policiais, enfatiza, estão mais sujeitos do que pessoas comuns a desenvolverem sintomas como depressão, fobias e psicoses, justamente pelo modo de vida a que são submetidos.
E quando os sintomas aparecem, precisam ser detectados o quanto antes, principalmente para não comprometer o trabalho, enfatiza. A primeira coisa a fazer é o afastamento da função por licença médica. O policial deve fazer tratamento na clínica e o acompanhamento é gratuito e extensivo a toda a família do policial.
A clínica fica na Rua Santo Antônio, 179. Rebouças. Informações pelo telefone (41) 332-5692 ou (41) 332-0952.


