A poupança é a preferência nacional do trabalhador para aplicações financeiras, mas deixar em 2015 a "economia" na caderneta será o mesmo que perder dinheiro. Apenas no primeiro bimestre deste ano, o índice da inflação foi duas vezes maior que o rendimento do poupador no período. Isso significa que o consumidor que desejava comprar um produto ao custo de R$ 1 mil em 1º de janeiro, por exemplo, mas decidiu colocar o valor no investimento mais tradicional do País até 1º de março, ficou com R$ 1.012, enquanto o custo do item chegou a R$ 1.024.

O problema é que, para o trabalhador, a caderneta funciona também como uma reserva de emergência, sem empecilhos para resgate e sem incidência de Imposto de Renda (IR) ou de taxas administrativas. Fundos de renda fixa costumam ter um período mínimo para que o dinheiro possa ser sacado ou demandam investimentos em valores mais altos. Contudo, consultores financeiros ouvidos pela FOLHA afirmam que o Tesouro Direto é a melhor opção para substituir a poupança, porque possibilita aplicações a partir de R$ 30, com rendimentos em torno da taxa básica de juros, a Selic, hoje em 12,75%.

A novidade é que, a partir do próximo dia 30, os investidores poderão revender os títulos do Tesouro Nacional em qualquer dia, o que amplia a liquidez e a flexibilidade da operação. Até a data, as operações somente são permitidas às quartas-feiras. A facilidade deve atrair o pequeno poupador, para que não sofra com a defasagem monetária neste ano, diz o consultor financeiro Rodrigo Milanez, da Bullmark Financial Group em Londrina.

Com a inflação oficial medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) projetada para 7,93% em 2015, segundo o último Boletim Focus do Banco Central (BC), a poupança não cobrirá a alta generalizada de preços. "Com um retorno de aproximadamente 7,5% da caderneta, considerando TR, o investidor ainda obteria um retorno real negativo de 0,40%. Nem mesmo para os perfis mais conservadores, ou de altíssima necessidade de liquidez, a poupança é atrativa", diz Milanez.

Em janeiro, o IPCA ficou em 1,24% e, em fevereiro, em 1,22%. Pelas contas do consultor, o rendimento da poupança deve ficar em torno de 0,60% ao mês. "A Selic está em 12,75% e isso permite que o investidor, inclusive o pequeno e o médio, busque retornos nominais próximos ou superiores a essa taxa, com baixo risco, liquidez diária e aplicações a partir de R$ 30."

Assim como o consultor, o professor de economia Azenil Staviski, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), indica o Tesouro Direto como alternativa mais segura. Ele lembra que o ideal é deixar o dinheiro aplicado pelo maior prazo possível. "Mesmo na renda fixa, como o CDB, que tem incidência de IR, quanto maior o valor e o tempo do investimento, melhor o retorno", diz. Porém, Staviski considera que mesmo que a pessoa tenha de sacar o valor em seis menos, terá rendimento maior que na poupança.

O CDB foi a escolha do porteiro Wilson da Silva para tentar evitar a defasagem financeira. "O gerente do banco sugeriu e peguei o fundo de renda fixa, para deixar o dinheiro parado, mas rendendo, porque poupança não é mais viável", diz. Ele fez a opção no fim de 2013, quando a Selic entrou em rota de ascensão. "Poupança não compensa, o juro de 0,5% chega a ser ridículo e não dá nem R$ 100 no ano."

Como funciona

Para investir no Tesouro Direto, é preciso ter CPF e conta corrente em uma instituição financeira. Depois, é preciso escolher um agente de custódia, que pode ser um dos vários bancos habilitados, e solicitar o cadastramento, com a documentação necessária, para que seja aberta uma conta no Tesouro em nome do cliente. É preciso observar que alguns cobram taxa de administração e outros, não.

O investidor receberá então uma senha provisória da BM&FBovespa, para o primeiro acesso à área restrita do Tesouro Direto, em que são realizadas as operações de compra e venda, assim como consultas a saldos e extratos. É necessário trocar a senha por uma nova e, então, já é possível investir. Para mais informações e para saber sobre agentes de custódia e taxas cobradas, basta acessar o endereço eletrônico www.tesouro.fazenda.gov.br/tesouro-direto/.

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