A economia colaborativa foi o ponto de partida para que Thiago Dalvi, CEO da Olist.com, desenvolvesse um modelo de negócio que já é sucesso com apenas 70 dias de funcionamento. A empresa sediada em Curitiba tem como missão ajudar micro e pequenas empresas a venderem mais. Hoje, através do site, muitos pequenos empreendedores conseguem comercializar seus produtos em portais de grandes redes varejistas, como Submarino e Walmart. O modelo da startup, porém, não nasceu pronto. O empreendedor conta que foram pelo menos dez anos de erros e acertos para chegar onde estão.
Londrinense, Dalvi foi fazer faculdade de administração de empresas na UFPR e, na universidade, entrou em contato com empresas juniores e desenvolveu uma grande rede de contatos. Com vontade de empreender, foi convidado a integrar a equipe da Aliança Empreendedora, que tinha o objetivo de ajudar artesãos com bons produtos a se manterem e crescerem no mercado.
O primeiro empreendimento foi uma loja física em um shopping, chamada Solidarium. O modelo, porém, não se sustentou, por isso a ideia foi adaptada. "Um erro não é um ponto final", ensina ele, que passou a tentar colocar os produtos artesanais nas lojas físicas de grandes varejistas. "Este modelo também não era redondo, pois tínhamos pouco lucro diante dos custos", recorda. O início da solução veio depois de Dalvi participar, nos Estados Unidos, de um programa de aceleração chamado 500 Start Ups. Após finalizar o programa, ele levou a Solidarium para uma plataforma on-line que oferece produtos de 9 mil artesãos cadastrados.
A plataforma funciona bem, mas ele ainda não estava satisfeito com os resultados, principalmente porque os produtos artesanais continuavam concorrendo com os grandes varejistas. Assim, participou de novo programa de aceleração, desta vez no Vale do Silício, e finalmente chegou na Olist, que passou a atender micro e pequenos empresários de qualquer área. "Eles se cadastram e começam a vender para grandes redes. Já são mais de 5 mil cadastrados. Para os grandes varejistas a vantagem está no acesso a um público de fornecedores com quem eles não teriam contato", destaca.
Mediante o pagamento de pacotes a partir de R$ 49,00 mensais e uma comissão a cada venda concretizada, muitos empresários estão prosperando. É o caso de Liana Charles, da mineira Arteminas, que vende organizadores com foco especial em bandejas para sofás que podem ser feitas com porta-copos, porta-controles ou esteiras. Em dois meses, ela totaliza 105 produtos listados nos canais Submarino, Americanas, Shoptime e Solidarium, é líder de categoria nestes canais e já vendeu 770 peças que resultaram em R$ 40,5 mil.
"Eu já anunciava os meus produtos na Solidarium e recebi um convite para anunciar na Olist. Achei a proposta muito interessante e aceitei no mesmo momento, pois passei a ter acesso a grande canais de vendas, o que isoladamente não conseguiria", conta. As vendas da Arteminas têm aumentado em torno de 30% a 40%.
O relato de Liane confirma a percepção de Dalvi, que identificou, no início da trajetória do negócio, que os pequenos possuem muitas dificuldades para vender on-line, diante dos custos de manter um e-commerce e da logística da entrega. Para permanecer na Olist, porém, é preciso atender critérios que incluem qualidade e entrega no prazo, entre outros. "Caso contrário, o fornecedor é bloqueado".
Para ele, o modelo de economia colaborativa é o melhor caminho para enfrentar a crise. "É possível formar parcerias bem sólidas. Estamos crescendo, apesar do pessimismo na economia", comemora. (C.A.)

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