Estranha doença de 1981 é pesadelo hoje
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sábado, 09 de junho de 2001
Daniel Q. Haney Agência Estado/AP De Boston 
Ninguém sabe dizer ao certo quando começou a epidemia de Aids. Mas em 5 de junho de 1981, um relatório da Secretaria de Saúde dos Estados Unidos citava uma estranha doença em Los Angeles. Nos oito meses anteriores, cinco pessoas morreram vítimas de um tipo raro de pneumonia. A doença era causada pelo Pneumocystis carinii, um germe que normalmente se abriga em pessoas com o sistema imunológico enfraquecido. Além disso, aqueles homens pareciam saudáveis e tinham entre 20 e 30 anos. O relatório resumiu os exames laboratoriais e os históricos médicos dos pacientes. Mas uma pista saltou aos olhos: os cinco eram homossexuais.
O motivo da doença era um mistério. Mas o relatório levantou cautelosamente uma teoria. Talvez os sistemas imunológicos deles tivessem sido expostos a algum agente comum que os tornou vulneráveis a vírus normalmente inofensivos. Talvez fosse uma doença transmitida pelo contato sexual. A hipótese foi publicada no Diário Semanal Doença e Mortalidade, do Centro de Controle Epidemiológico (CCE) e mostrou-se correta. Aqueles foram os primeiros cinco casos nos quais foi reconhecida a síndrome da imunodeficiência adquirida, conhecida como Aids, doença que até agora já matou mais de 22 milhões de pessoas em todo o mundo.
Tão triste quanto a própria tragédia humana, não há dúvidas de que a Aids será muito pior sem uma monumental campanha científica para encontrar sua origem, entender como se prolifera e criar tratamento. No geral, especialistas estão otimistas quanto a novos progressos num futuro próximo. Mesmo assim, as vitórias são agridoces para alguns envolvidos desde o início. A ciência deve se orgulhar, mas não deve ficar feliz, diz o doutor Robert Gallo, da Universidade de Maryland, co-descobridor do vírus da Aids. Nunca tivemos um momento de reflexão pacífica no qual pudéssemos dizer: Nossa! Conseguimos.
O trabalho de Gallo no início dos anos 80 culminou na descoberta de um sistema de detecção do vírus para evitar a proliferação da Aids por meio de transfusões de sangue. Isto estabeleceu a base de medicamentos que eventualmente fazem com que a Aids deixe de ser uma sentença de morte e passe a ser uma doença crônica, mas não fatal. Mas a descoberta de Gallo não gerou uma vacina que impedisse a contaminação, como previam os mais otimistas. E, sem a vacina, o vírus da Aids disseminou-se de forma explosiva nas regiões mais pobres do mundo, especialmente a África, onde vivem dois terços das 36 milhões de pessoas hoje infectadas.


