Na casa da consultora de beleza Ana Sílvia Martins de Souza Tatesuji e do engenheiro eletricista Mauro Akira Tatesugi, a negociação é uma ferramenta importante para manter a harmonia. Isto porque o casal escolheu ter uma família grande e, com quatro filhos em casa, precisa ter jogo de cintura para administrar de forma sensata os interesses de Ana Luísa, de 13 anos, Letícia, de 9, Beatriz, de 6, e Artur, de 3.
Ana Sílvia trabalhava como gerente em uma loja até o nascimento da terceira filha. Para realizar o sonho de vê-los crescendo, entretanto, deixou o trabalho e passou a revender uma linha de cosméticos. Com grandes habilidades de negociar, em pouco tempo ela se tornou uma diretora da Mary Kay, administrando um grupo de 90 consultoras. "Para mim é ótimo, pois administro meu próprio tempo e posso acompanhar as crianças", diz.
Com quatro filhos em casa, ela garante que é preciso estabelecer regras e ensinar a capacidade de negociação para todos. "Sempre ensinei meus filhos a fazerem trocas e estimulo todo mundo a saber escolher", conta. Ana Luísa, a primogênita, aprendeu cedo a aproveitar as oportunidades oferecidas pela habilidade de negociar. "Ela sempre me ajudou com os irmãos. Como é uma boa filha e colabora muito, tem bastante liberdade para passear com os amigos e outras coisas da idade. Quem segue as regras não perde a liberdade", conta.
Com os menores, a rotina é administrada de modo que cada um tenha sua vez de escolher, o que inclui desde o programa na TV até passar o fim de semana na casa da avó. "Uma das punições mais temidas é não poder dormir na avó", diverte-se a mãe.
As meninas dormem em um quarto que tem uma cama elevada. Como as mais velhas gostam de dormir em cima, elas mesmas estabeleceram um critério para usar o espaço, baseadas na rotina diária. "Quem vai acordar mais tarde dorme na cama de cima", conta Ana Luísa. Em uma casa com quatro crianças, até mesmo as guloseimas são negociadas. "Ganhamos chocolates diferentes e fazemos trocas entre nós mesmos", relata a adolescente.
Ana Sílvia conta que os filhos possuem temperamentos diferentes que precisam ser respeitados. "Cada um tem um estilo, que sempre levamos em conta", avalia. Ela admite que é mais "condescendente" enquanto o marido é mais rígido nas regras. A mãe observa que, por viverem com muitos irmãos, os filhos costumam ser mais desinibidos e independentes, com grande capacidade de trabalhar em equipe. "Meus filhos são tranquilos e quase não dão trabalho, pois não cobram exclusividade. Todos têm as particularidades atendidas na medida do possível, mas não ficam competindo entre si", garante.

mockup