Um novo modelo de celular ou computador mal acaba de ser lançado no mercado e outro mais avançado e moderno já está sendo anunciado. Ávidos por tecnologia, consumidores, sobretudo os jovens, são seduzidos a trocar de produto antes mesmo dele apresentar qualquer indício de problema técnico ou fim da vida útil. É a chamada ''obsolescência programada'', termo utilizado para o estímulo ao consumo visando, quase que exclusivamente, o fomento da economia.

O professor e coordenador do curso de engenharia elétrica da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Ewaldo Luiz Mattos Mehl, explica que se trata de uma obsolescência tecnológica, já que os circuitos dos eletrônicos são integrados e resistentes, portanto, não param de funcionar. ''Além disso, os celulares, por exemplo, são feitos com materiais rígidos e resistentes a umidade e temperatura. Mas com o tempo, aquele produto não atende mais às necessidades do usuário, muitas vezes, criadas pelo mercado ou pela falta de compatibilidade entre os aparelhos'', pontua.

O problema é que as novas funções, aplicativos e designs de determinado produto resultam em troca desnecessária constante pelos consumidores. Segundo Estanislau Maria, coordenador da Assessoria Técnica do Instituto Akatu, a convergência de mídias em um mesmo aparelho, como o celular (música, televisão, internet, câmera), além de trazer inclusão digital - pelo maior acesso, visto que é mais barato - seria uma saída para um consumo sustentável e sem desperdício.

Assim, não haveria necessidade da compra de vários aparelhos. ''A diminuição de resíduos e uso de recursos naturais seriam significativos'', defende. Isso porqu uma das maiores preocupações da entidade é divulgar a busca pela sustentabilidade do planeta. ''Não é só o material do produto que está em questão, mas todo o processo de fabricação e transporte das quinquilharias que gasta energia e produz resíduo.'' Ao mesmo tempo, uma das frentes tem sido incentivar a fabricação de produtos duráveis e retornáveis em vez dos descartáveis.

Conforme ele, existe um passivo de lixo que já gerou um desastre ambiental impagável. ''Hoje, a população mundial consome 50% a mais do que o planeta consegue repor. Mudar o comportamento não é uma questão de escolha, mas de sobrevivência'', argumenta, acrescentando que o poder maior está na atuação e mobilização dos consumidores perante à indústria. (M.T.)


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