A Secretaria Estadual de Educação anunciou que vai promover uma auditoria no curso de formação de professores oferecido pelo Iesde. A investigação tem dois objetivos: verificar se a parceria é benéfica para as escolas públicas e apurar a consistência de uma denúncia encaminhada em 28 de maio do ano passado ao Conselho Estadual de Educação (CEE) por três alunas do curso em Curitiba.
O curso teve seu funcionamento autorizado pelo CEE –órgão que normatiza a educação no Estado– em agosto de 1999. A proposta era oferecer formação equivalente ao magistério para os professores leigos (sem habilitação) que atuam no ensino fundamental (pré-escola e de 1ª à 4ª série). No Paraná, os leigos representam 7% na rede estadual (3.534 dos 50 mil professores) e 62% na municipal (27 mil, em um total de 43,3 mil).
A extinção dos professores leigos é uma exigência legal. Ao ser aprovada, em 1996, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN) deu prazo de cinco anos para que todos os professores sejam capacitados. O prazo vence este ano. A partir de 2006, será exigido curso superior para o exercício da profissão. Com essa justificativa, em 98 o Estado deixou de abrir turmas novas para curso de magistério (de nível médio), abrindo caminho para a iniciativa privada.
Em maio do ano passado, o CEE autorizou novo pedido das empresas promotoras: permitir o ingresso no Curso Normal à Distância de qualquer pessoa que tenha concluído o ensino fundamental (8ª série). O público do curso se multiplicou.
A denúncia das alunas encaminhada ao CEE apontava supostas irregularidades no curso: falta de supervisão no estágio, falta de controle do comparecimento dos alunos às aulas, ausência de orientador em muitas aulas, falta de relação entre matérias do vídeo e da apostila. ‘‘Nos sentimos enganadas’’, afirma o texto, do qual a Folha obteve uma cópia.
O curso dura 24 meses, em seis horas semanais de aula, com os alunos assistindo aos vídeos. Cada turma possui um professor –a maioria é formada em Pedagogia. Há um telefone com ligação gratuita (0800-411110) para os alunos tirarem dúvidas com professores de cada área.
O diretor pedagógico do Iesde, Teofilo Bacha Filho, disse que as denúncias são infundadas. Bacha filho é membro do CEE e votou favorável à aprovação do curso. Ele está na empresa há cerca de cinco meses.

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