O Paraná tem aproximadamente 320 mil pequenas propriedades de até 50 hectares, informa Ademir Muller, presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Paraná (Fetaep). "São produtores que cultivam com a família ou eventualmente, na época da colheita do café, por exemplo, com um empregado", conta. Essas famílias são o foco das ações da federação, que trabalha em parceria com 308 sindicatos sediados na maioria dos municípios para facilitar o acesso deste público aos programas que incentivam a permanência no campo e reduzem a desigualdade. "São programas em várias áreas, dos municípios, do Estado e do governo federal", conta.
Um deles é a linha de financiamento Pronaf, que garante recursos para custeio e investimento nas propriedades. "Estes recursos permitem sair da agricultura de subsistência para tornar as propriedades produtivas e rentáveis", considera. Outra iniciativa é o Programa Nacional de Crédito Fundiário (PNCF), que permite ao trabalhador comprar a terra com juros acessíveis. "É uma reforma agrária mediante compra", afirma, lembrando que, desde 2010, foram contratados mais de 1,2 mil projetos através dos sindicatos. A federação também tem um programa próprio de habitação rural que já viabilizou a construção de mil casas, além do acesso à moradia proporcionado pela Cohapar.
O desafio atual, segundo Mueller, é formalizar a prestação de serviços por trabalhadores rurais que ainda estão na informalidade, além de regularizar a documentação de pequenos produtores que não têm documentos para comprovar a posse da terra. "É preciso ter documentos para acessar os programas de incentivo e, assim, ter acesso às tecnologias que permitem a diversificação. A legalização das propriedades é uma das prioridades."
O presidente do Sindicato Rural Patronal de Londrina, Narciso Pissinati, destaca que 75% dos produtores do Paraná são pequenos ou médios, o que confirma, segundo ele, a realidade apontada pelos especialistas após a análise do índice de Gini. O líder sindical acredita que os pequenos produtores têm sido bastante contemplados pelos programas governamentais e reivindica atenção, também, para os médios, que segundo ele estão "desassistidos". "Precisamos de garantia e segurança", disse, referindo-se a garantia de preço mínimo e seguro rural eficiente. (C.A.)

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