''Eu sou uma serva da igreja'', diz a estudante Letícia da Silva Santana. Com apenas 18 anos, ela conta que desde os 13 se dedica às atividades do grupo de jovens ''Rocha da Salvação'', do Santuário Nossa Senhora Aparecida, no bairro Vila Nova. ''É um lugar onde me sinto bem, feliz, além de ser muito acolhida'', resume. Participante ativa do grupo, além de frequentar as reuniões semanais, ajuda nos trabalhos da paróquia, eventos e noites festivas, como a celebração de Nossa Senhora Aparecida no dia 12 de outubro, que reuniu milhares de fiéis.
De família católica, Letícia sempre frequentou a missa. Mas foi por convite de duas amigas que entrou para o grupo. ''Nossos encontros são momentos de reflexão, em que cantamos, oramos e também confraternizamos.'' Contente com as escolhas que têm feito, revela que não considera os valores da igreja rígidos ou inflexíveis. ''Tudo o que Deus e a igreja dizem é somente para o nosso bem. Acredito que é o certo a se fazer'', defende ela, que faz curso preparatório para dar aulas de catequese para crianças.
As declarações da jovem levam à constatação de que, se há algumas décadas a juventude era um período da vida marcado, sobretudo, por manifestações ideológicas, rebeldia e até mesmo transgressão, hoje, esse perfil dá lugar a outros tipos de comportamento. E, entre os vários estilos de vida, a religião tem recebido atenção especial por esse nicho da população. Tanto que não é difícil encontrar adolescentes e jovens engajados na fé como Letícia, ainda que não exerçam funções religiosas dentro da igreja.
Mesmo assim, é visivelmente notório o esforço da igreja católica em atrair e reter esse público. Do antigo modelo ortodoxo e tradicional, os católicos se modernizaram, e deram espaço a missas com músicas e liturgias mais dinâmicas e até divertidas. A renovação carismática católica (RCC) é um exemplo do novo modelo da igreja, cuja linha é mais animada, com sermões descontraídos, impulsionados por cânticos fervorosos e danças entusiasmadas.
Grupo de jovens
O que os leva a seguir esse estilo de vida foi, inclusive, o tema que marcou a celebração do Dia Nacional da Juventude (DNJ), celebrado em quase todo Brasil no último dia 21 de outubro. Com a pergunta ''Qual vida vale a pena ser vivida?'', o evento reuniu mais de 500 jovens somente em Londrina. Além disso, a edição deste ano foi tida como preparação e contagem regressiva para a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), no Rio de Janeiro, e o Ano da Fé, marcado pela vinda do Papa Bento XVI ao Brasil em junho de 2013.
Segundo o assessor da Pastoral da Juventude em Londrina, padre Marcelo Gomes dos Santos, é grande o desafio de atrair os jovens à igreja. ''De certa forma, concorremos com o prazer imediato de felicidade que o mundo oferece, além das drogas e da violência. Muitos, porém, estão percebendo mais cedo que tudo não passa de uma promessa falsa, uma esperança vazia, passando a buscar em Deus a verdadeira felicidade'', afirma.
Desta forma, os grupos de jovens das igrejas se multiplicam e têm a participação ativa deles. ''Nos grupos, eles são responsáveis, praticamente, por todas as atividades. Mas, de certa forma, a igreja teve de modificar sua linguagem para se tornar mais atrativa aos jovens. Inserimos as músicas com melodias mais agitadas e as apresentações teatrais na formação religiosa, por exemplo.''
Como não há hegemonia nem mesmo entre os jovens da mesma idade, existem várias ramificações de grupos. ''Chamamos de diferentes carismas, cada qual com sua metodologia, mas com o mesmo objetivo de passar a doutrina cristã e palavra do Evangelho'', listando os carismáticos, palotinos, paroquiais, seguidores de Maria, claretianos, franciscanos, entre outros. Desta forma, ele diz que a identificação ocorre com a vida Jesus Cristo e dos santos, como modelo de trajetória e exemplo de comportamento.

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