Espera de 9 horas pelo corpo do filho revolta mãe
Falhas na abordagem podem comprometer todo trabalho de coleta de órgãos. Um caso recente envolve a família do agricultor Cristiano Botti, 24 anos, de Cambé, que morreu no dia 27 de maio vítima de acidente de trânsito. Procurada pela Comissão de Captação de Órgãos de Transplante do Hospital Universitário Regional do Norte do Paraná (HU), em Londrina, a família concordou em doar as córneas de Cristiano, mas reclama que foi mal informada sobre o tempo necessário para a retirada dos órgãos.
A pessoa encarregada pela abordagem, que segundo a família seria uma assistente social, teria garantido que o tempo seria de 15 a 30 minutos e o corpo, então, poderia ser entregue para o velório. Mas, entre a retirada do órgão, a necrópsia feita pelo Instituto Médico-Legal (IML) e a entrega do corpo, foram gastos cerca de 9 horas.
O diretor clínico do HU, Sylvio Villari Filho, que preside a Comissão de Captação, afirma que a previsão do tempo de coleta é de conhecimento dos integrantes da comissão e a família deve ser devidamente informada para diminuir a angústia da espera. No caso do agricultor, além da informação incorreta, o oftalmologista que foi acionado para a retirada das córneas estava no hospital atendendo outra ocorrência e demorou mais de uma hora para chegar ao centro cirúrgico.
Villari afirma que esses erros não são comuns, mas reconhece que eles podem comprometer o trabalho de conscietização da sociedade para a doação de órgãos. Treinamos constantemente nosso pessoal para evitar falhas como essa. A situação de doação é estressante e até conflitante para a família. A mãe de Cristiano, Maria Marcantonio Botti, concorda com o médico e sugere que outros profissionais sejam disponibilizados para atender situações imprevistas. (C.G.)





