Espelhos ganham status
Jonas OliveiraNo alto da escadaO espelho San Miguel, com moldura folheada a ouro, valoriza o lustre de cristais, colocando-o à mostraUsar espelhos na decoração pode ser uma operação de alto risco. Eles podem ampliar espaços e iluminar ambientes, mas é preciso escolher com cuidado, o espelho e a parede, para não cair no brega. A técnica milenar chinesa do Feng Shui, que está virando moda no Brasil, também tem restrições ao uso do espelho. O Feng Shui dispõe objetos na casa de uma forma que as energias positivas fluam melhor e o espelho pode prejudicar o astral da casa, segundo os estudiosos. Mas para os menos esotéricos e cheios de estilo pode ser difícil não se render aos encantos de um belo espelho na decoração.
Na decoração convencional o uso do espelho é mais indicado para o estilo clássico. Neste caso, os espelhos valorizam a parede final de um corredor, logo atrás e acima de uma escultura. Os pequenos, com molduras douradas envelhecidas valorizam pequenas paredes, e os maiores, também com molduras clássicas, podem ser usados em salas de estar íntimas ou quartos. Mas a arquiteta Cláudia Sovierzoski alerta: nunca em colunas ou paredes inteiras como costumava-se usar para ampliar espaços.
Peça valorizando a escultura de Luiz GagliastriNa década de 70, o uso de espelhos era comum em salas de estar e salões de festa, usando paredes inteiras para ampliar o espaço. Hoje esta é uma tendência totalmente superada. Na decoração moderna e arrojada, o espelho ganha status de obra de arte, valorizado pelas molduras e compondo espaços com móveis e objetos escolhidos cuidadosamente.
Sensação de deformidade Em Curitiba, a empresa Artestil produz e comercializa espelhos há 18 anos, fornecendo para quase todos os estados brasileiros. Os modelos variam desde peças feitas em série, com molduras prontas e compradas em atacado por metro, que saem a partir de R$ 15,00 até peças exclusivas de design italiano. O San Miguel, por exemplo, é um espelho bisotê (com borda decorada), de 1,60 m x 1,20 m, moldura em pátina e folha de ouro, que custa três parcelas de R$ 320. Uma versão mais moderna é o Salvador Dalí, a moldura ondulada dá uma falsa sensação de deformidade na imagem e pode ser dourada, prateada ou em madeira com pátina. A peça mede 70 cm x 70 cm e custa três parcelas de R$ 165.
A dona da loja, Liliana Cabral, diz que é possível conseguir muito charme com peças de preços mais acessíveis. Um espelho de 70 cm x 90 cm, com moldura pré-pronta, por exemplo, sai por R$ 100,00. Outra dica é usar as pequenas peças, que custam a partir de R$ 15,00 e que relembram os espelhinhos da vovó. Em paredes menores, eles dão um toque de nostalgia ao ambiente.





